O Palácio do Planalto informou nesta sexta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deverá viajar ao Paraguai neste fim de semana para acompanhar a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia. O encontro, marcado para Assunção, reunirá os chefes de Estado dos países do bloco sul-americano e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Quem representará oficialmente o Brasil no ato será o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A confirmação foi divulgada pela Secretaria de Assuntos Parlamentares e ouvida por veículos oficiais, em meio às expectativas sobre a cerimônia que oficializará o avanço de uma negociação que teve início há mais de duas décadas.
A ausência de Lula contrasta com a atuação do próprio governo para promover o acordo, defendido pelo presidente desde o início do terceiro mandato. Ele deixou claro, ao longo de sua gestão, o comprometimento com a conclusão do acordo durante a passagem da presidência do Mercosul, da qual participou, entre julho e dezembro do ano passado. Atualmente, a presidência do bloco está com o Paraguai, que sediará a cerimônia de assinatura.
Ainda antes de deixar o Brasil, Lula participou de um encontro com Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro, que serviu como anteprime da assinatura formal do tratado. Em artigo publicado no jornal argentino La Nación, o presidente ressaltou que a parceria entre Mercosul e União Europeia seria uma resposta ao unilateralismo que isola mercados e ao protecionismo que compromete o crescimento global. Segundo ele, duas regiões que compartilham valores democráticos e defendem o multilateralismo optam por um caminho de cooperação.
Lula reforçou que não existe economia isolada e que o comércio internacional não é um jogo de soma zero. Ele afirmou que o acordo entre os blocos deve gerar oportunidades de emprego, aumento de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico para os seus países. O presidente destacou ainda que a assinatura só foi possível porque Mercosul e União Europeia reconheceram que, juntos, há mais a ganhar do que separados, optando por dialogar com respeito e igualdade.
Em pronunciamento recente, o petista voltou a traçar críticas ao estilo do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao defender que o Mercosul e a União Europeia compartilham valores como democracia, Estado de Direito e direitos humanos. Errando menos para posições externas, Lula afirmou que as parcerias regionais devem se pautar na cooperação em vez de disputas ou pressões externas.
A cerimônia de assinatura do acordo Mercosul-UE está marcada para este sábado, em Assunção. A expectativa é que o ato consolide uma parceria que, segundo os seus defensores, poderá abrir novos espaços de comércio, investimentos e desenvolvimento para as economias dos dois blocos, com impactos potenciais em toda a região. A confirmação de que o Brasil não enviará o presidente ao Paraguai indica, ainda, que o governo brasileiro manterá uma posição de participação institucional por meio da representação diplomática titular, mantendo o protagonismo do Brasil nas tratativas sem que haja a presença de Lula na cerimônia.



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