Início Política CPMI do INSS mira igrejas e pastores em meio ao atrito entre Malafaia e Damares Alves

CPMI do INSS mira igrejas e pastores em meio ao atrito entre Malafaia e Damares Alves

CPMI do INSS mira igrejas e pastores em meio ao atrito entre Malafaia e Damares Alves

O embate entre o pastor Silas Malafaia e a senadora Damares Alves ganhou novos contornos nos últimos dias, após a parlamentar afirmar que a CPMI do INSS investiga a possível participação de grandes igrejas e líderes evangélicos em esquemas de fraudes contra aposentados e pensionistas. Nesta sexta-feira (16), Malafaia reagiu de forma contundente, chamando Damares de “leviana” e “cínica” e acusando-a de mentir.

Tudo começou com a entrevista de Damares ao SBT News, no dia 11 de janeiro. Em meio às perguntas sobre a CPMI, a deputada-senadora disse que estavam sendo identificadas igrejas envolvidas em fraudes contra aposentados e que, quando o assunto envolve “um grande pastor”, há pressão para não investigar por parte da comunidade. A afirmação de que a CPMI do INSS estaria chegando a lugares impensáveis ampliou o tom da discussão entre os aliados dos dois lados.

Três dias depois, Malafaia reagiu com veemência. Como líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ele classificou a declaração de Damares como uma afronta e desafiou a senadora a divulgar os nomes das igrejas e dos pastores investigados. Em tom explosivo, afirmou que a acusação era grave e exigia provas, além de cobrar a indicação de quem pediu para que ela não falasse. “Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana, linguaruda. Se não houver nomes e provas, cale a boca”, declarou o pastor, acrescentando que a ausência de identificação tornava a denúncia inadequada.

Em resposta, Damares publicou os requerimentos que mencionavam igrejas e líderes religiosos, ressaltando que as informações já são públicas, constam de requerimentos aprovados pela Comissão e são amplamente divulgadas e acessíveis à sociedade. Ela defendeu a necessidade de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental, mesmo reconhecendo o desconforto causado pela eventual participação de instituições religiosas em esquemas ilícitos.

A senadora apresentou, como parte do material disponível, uma lista de itens que já teve ou terá análise pela CPMI. Entre eles estão transferências de sigilo de instituições como a Adoração Church, a Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, o Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) e a Igreja Evangélica Campo de Anatote. Também constam convites e requerimentos de comparecimento para figuras religiosas — Cesar Belucci do Nascimento; André Machado Valadão; Péricles Albino Gonçalves; Fabiano Campos Zettel — este último ligado a uma empresa ligada ao Banco Master, citado na segunda fase da Operação Compliance Zero. Além disso, houve convite para André Fernandes, outro líder religioso, para prestar depoimento.

Após a divulgação, Malafaia já havia visto a divulgação de dados como uma tentativa de manchar a imagem da igreja. Em entrevista, ele continuou a negar que haja nomes de grandes igrejas entre os citados, afirmando que a nota pública não trazia referências a instituições de grande porte. “Não citou grandes igrejas. Cita pequenas entidades sem relevância”, afirmou o pastor, acrescentando que a denúncia não poderia prosseguir sem identificação clara.

Damares, por sua vez, manteve o tom de que não submeterá suas ações ao crivo de qualquer líder religioso. Em entrevista ao jornal O Globo, ela afirmou que não dependerá da aprovação de Malafaia para conduzir seus atos no Senado e relembrou que há menções à Assembleia de Deus do Amazonas, ligada a familiares do líder da bancada evangélica, Silas Câmara (Republicanos-AM), que também serão avaliadas pela CPMI. “O Malafaia precisa orar um pouco. Eu não submeto minhas ações parlamentares a ele”, disse a senadora, que ressaltou que os dados já solicitados à Assembleia de Deus do Amazonas foram fornecidos e estão sob análise.

O pastor, por sua vez, não deixou passar o ataque sem resposta. Ele afirmou que a senadora não é “a paladina da verdade” e que manteve contato com o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), para entender quais seriam os investigados, recebendo a alegação de que não havia envolvimento de grandes líderes ou grandes igrejas na apuração. Nesta sexta-feira, ele reiterou que a senadora “precisa se converter” para abandonar a mentira e falar a verdade, além de insistir no desafio: quais seriam as grandes igrejas citadas?

Outra frente da crise foi a pauta institucional na CPMI. O deputado Rogério Correia (PT-MG) protocolou pedido para a convocação de Malafaia pela comissão. O pastor manifestou-se agradecido e saudou a possibilidade, dizendo que seria “um prazer” para ele ser ouvido. Em seu posicionamento, pediu ainda que a CPMI ouça, entre outras pessoas, Frei Chico (vice-presidente do Sindnapi) e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, irmão e filho do presidente Lula, respectivamente, insinuando que gostaria de ampliar o leque de testemunhas.

O atual episódio reflete a tensão entre setores religiosos e o escrutínio institucional que envolve a CPMI do INSS, com as partes reiterando que a apuração deve ocorrer com base documental e sem favorecer ou prejudicar qualquer instituição. À medida que a comissão avança, novas audiências e convocações podem surgir, mantendo o tema no centro do debate público sobre atuação de igrejas e líderes no cenário político e social.

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