Deputados de direita intensificam atuação nos bastidores após transferência de Bolsonaro para Papuda
Após a transferência de Jair Bolsonaro para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, parlamentares de direita passaram a atuar de forma mais ativa nos bastidores, segundo relatos do deputado federal Gustavo Gayer. Em vídeos e declarações publicados nas redes sociais neste fim de semana, Gayer afirmou que o silêncio não é a saída “e nem deve ser”. Ele disse que a esquerda tem interesse em K.O. o poder de resposta da ala conservadora nas plataformas digitais.
O parlamentar destacou que há um movimento para que a direita não se manifeste online sobre temas como denúncias envolvendo o governo atual, a prisão de Bolsonaro ou ataques ao ministro Alexandre de Moraes. Para ele, tratar desses assuntos na internet não significa abandonar o ex-presidente, mas, pelo contrário, é uma estratégia para desgastar o governo vigente. “O que a esquerda mais quer é que a direita pare de falar nas redes sociais”, disse em desabafo divulgado pelas próprias redes. Em outra passagem, ele sugeriu que a cautela com o tom pode favorecer quem tenta silenciar o campo político.
Gayer criticou quem, segundo ele, incentiva o silêncio como forma de vencer no terreno em que a oposição tem mais recursos. “Suspeite bastante quando alguém pedir que a direita fique em silêncio ou pare de batalhar no campo que a gente tem mais vitórias no período eleitoral”, afirmou. O deputado acrescentou que a insistência em restringir a voz online é vista por ele como uma tática para manter a narrativa alinhada com interesses que não estariam favorecendo o debate público amplo.
Segundo o relato do parlamentar, nomes de destaque da direita se mantêm mobilizados para contestar a prisão de Bolsonaro. Entre eles, apontou Nikolas Ferreira (PL-MG), Mario Frias (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF) e Carol de Toni (PL-SC). Conforme Gayer, essas figuras estão promovendo reuniões com deputados de centro, contatos com entidades e a elaboração de relatórios com o objetivo de levar a assunto a instâncias internacionais, à Defensoria Pública do Distrito Federal e à Procuradoria-Geral da República. Em paralelo, ele informou que pelo menos 160 deputados federais teriam assinado um documento de apoio à prisão domiciliar de Bolsonaro, e que um abaixo-assinado online deve ser lançado em breve para envolver a população.
Além dessas ações, o deputado afirmou que o grupo trabalha para derrubar o veto do presidente Lula à Lei da Dosimetria. A norma está relacionada à forma de aplicação de penas e pode impactar centenas de pessoas envolvidas nos acontecimentos de 8 de janeiro. De acordo com Gayer, a expectativa é que a derrubada do veto possa permitir a libertação de mais de 100 pessoas que permanecem presas há três anos desde os incidentes ocorridos naquele dia.
Os relatos de bastidores ressaltam ainda a percepção de que a defesa de Bolsonaro envolve uma estratégia de comunicação mais ampla, também orientada pela figura de Flávio Bolsonaro, a quem o movimento atribui o papel de liderança nas próximas eleições. Segundo Gayer, a missão estabelecida pelo ex-presidente aos seus aliados é fortalecer esse nome e informar a população sobre o que, na visão do grupo, são esquemas de corrupção ou “escândalos” envolvendo o governo atual.
Não há, no entanto, confirmação oficial sobre a estrutura de atuação mencionada nem sobre os números de assinaturas ou atos citados por Gayer. O cenário descrito pelo deputado reflete o momento de tensões políticas no qual aliados de Bolsonaro buscam manter a pressão pública e institucional diante de eventos recentes que envolvem a trajetória do ex-presidente e a gestão atual.



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