Início Política Raul Jungmann morre aos 77 anos após luta contra câncer

Raul Jungmann morre aos 77 anos após luta contra câncer

Raul Jungmann morre aos 77 anos após luta contra câncer

O ex-ministro e ex-deputado federal Raul Jungmann faleceu neste domingo, aos 77 anos, vítima de um câncer com o qual convivia há anos. Depois de permanecer em casa recebendo cuidados paliativos, ele foi levado novamente a um hospital de Brasília neste fim de semana e não resistiu.

Jungmann construiu uma trajetória marcante na política e na gestão pública, com passagens por cargos de grande influência. No governo de Fernando Henrique Cardoso, ocupou o Ministério do Desenvolvimento Agrário, onde acompanhou iniciativas ligadas a conflitos fundiários e às políticas de reforma agrária. Já no governo de Michel Temer, assumiu a Defesa, tornando-se um dos poucos civis a chefiar o Ministério responsável pelas Forças Armadas. Ainda na gestão Temer, liderou o Ministério Extraordinário da Segurança Pública, criado para articular ações federais de combate ao crime organizado e para coordenar intervenções nos estados. Além disso, Jungmann foi deputado federal por três mandatos, exercidos nas legislaturas de 2002, 2006 e 2014.

A atividade pública de Jungmann também ganhou contornos de gestão institucional. A partir de 2022, ele ocupava a função de diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), cargo que ocupava até os dias atuais. A soma de sua experiência abarcou áreas técnicas e políticas, com foco em governança, segurança e defesa nacional — temas que marcaram boa parte de sua atuação no Executivo e no Legislativo.

Diversos representantes do cenário político e institucional lamentaram a perda. O senador Sérgio Moro (União-PR) destacou que a aposentadoria da vida pública perde um dirigente de referência, lembrando o período da transição de 2018, quando Jungmann atuava como ministro da Segurança Pública e buscava diálogo institucional e soluções responsáveis para os desafios do país. O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), lembrou que, ainda em dezembro, conferiu a Jungmann uma Moção de Louvor, reconhecendo sua trajetória dedicada ao serviço público e ao país, e desejou conforto aos familiares neste momento de dor.

Entre as manifestações de pesar, a ex-senadora Kátia Abreu postou nas redes sociais elogios à atuação de Jungmann, chamando-o de uma das maiores inteligências do país e afirmando que sua ausência seria sentida. O ex-senador Roberto Freire, que o conhecia desde a juventude em Recife, classificou Jungmann como um dos políticos mais inteligentes e competentes com quem manteve relação de convivência, destacando a relevância de sua atuação na esfera pública e privada. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) também manifestou pesar, lembrando Jungmann como um dos pensadores mais relevantes para a formação da nação e expressando apreço pela amizade construída ao longo dos anos.

Entre as vozes do Judiciário, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, enalteceu a integridade de Jungmann e sua densidade republicana. Em suas palavras, o ex-ministro foi um homem público de rara integridade, que manteve o compromisso com o Estado de Direito e com a solução de conflitos pela via da razão, sem recorrer a arbitrariedades. O decano do STF ainda destacou que, nos cargos ocupados, Jungmann demonstrou equilíbrio, preparo e capacidade de exercer autoridade sem abrir mão do diálogo.

A trajetória de Raul Jungmann, marcada pela atuação técnica aliada a uma visão pragmática da política, fica registrada como parte relevante da história pública do país. Sua passagem por ministérios de peso, pela Câmara e pelo Senado, bem como pela iniciativa privada, consolida um perfil que privilegia a gestão de crises, a segurança pública e a defesa nacional. A comunidade política e institucionais mantém-se diante de seu legado, ora lembrando os gestos de construção institucional que, para muitos, marcaram um período de continuidade e diálogo em momentos desafiadores do Brasil.

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