Renan Calheiros: pressões de Motta e Lira no TCU pelo Master

Renan Calheiros: pressões de Motta e Lira no TCU pelo Master

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), apontou nesta segunda-feira (18) os dois nomes mais próximos do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do padrinho político dele, o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), como suspeitos de pressionarem o Tribunal de Contas da União (TCU) para favorecer a liquidação do Banco Master. A afirmação foi feita durante entrevista à GloboNews.

“Tenho informações de que o atual presidente da Câmara e o ex-presidente da Câmara pressionaram e continuam pressionando o TCU, aliás, um setor do TCU, para que o Tribunal liquide a liquidação. Isso é inacreditável, mas lamentavelmente estas coisas só acontecem no Brasil”, declarou Calheiros, sem apresentar documentos públicos que corroborem as alegações, segundo trecho exibido pela emissora.

A entrevista gerou constrangimento ao vivo, já que o apresentador interrompeu o senador para pedir confirmação sobre o alcance da acusação. Calheiros confirmou que não se tratava apenas de uma inspeção do TCU, determinada pelo ministro Jhonatan de Jesus, mas também de outros procedimentos envolvendo o caso do Banco Master. O exato teor dessas ações, no entanto, não foi detalhado pelo parlamentar durante a transmissão.

Até o fechamento deste texto, nem Motta nem Lira haviam se manifestado publicamente sobre as declarações. Procuradas pela reportagem, as assessorias de ambos não retornaram as solicitações de comentário.

O episódio ocorre em meio a uma percepção comum na política brasileira sobre o papel do centrão na composição do TCU. É amplamente reconhecido que a maioria dos indicados para vagas no tribunal vem de partidos da chamada base governista, o que alimenta debates sobre influência política na fiscalização de contas públicas.

A relação entre Calheiros e Lira tem histórico de defesa e ataque no cenário político de Alagoas, estado de origem de ambos. A rivalidade entre eles é apontada como uma das mais antigas e intensas da política brasileira, marcada por disputas familiares, regionais e por disputas de poder no Congresso e no cenário local. A tensão entre os dois nomes atravessa décadas e envolve disputas institucionais, além de disputas eleitorais na região.

Em resposta às declarações, Arthur Lira encaminhou nota ao site Poder360 na qual afirma que a acusação de Calheiros busca chantagear o governo e o Parlamento, além de tentar limpar a própria biografia, que estaria “manchada por mal feitos”. A nota sustenta ainda que o senador estaria buscando espaço na mídia com esse tipo de afirmação.

O Banco Master, envolvido no debate, já mobiliza atenções no Congresso por conta de investigações e de propostas de comissões parlamentares de inquérito que circundam o tema. O caso continua sob escrutínio, com parlamentares reforçando a necessidade de apurar responsabilidades e esclarecer fatos para a opinião pública. Enquanto isso, a afirmação de Calheiros acrescenta um novo capítulo ao embate entre figuras de peso do Legislativo, colocando em pauta o papel do TCU, as escolhas de indicações para o tribunal e a velocidade com que decisões administrativas são tomadas no âmbito do Banco Master.

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