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Zambelli tenta adiar envio ao exterior por magistrados

Zambelli tenta adiar envio ao exterior por magistrados

Advogados da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) obtiveram nesta terça-feira (20) a interrupção da audiência de extradição realizada na Itália, ao apresentarem um pedido para a troca do colegiado de juízes responsável pelo caso. Segundo a defesa, o tribunal demonstrou pressa em decidir pela extradição, o que motivou a formalização de uma arguição de suspeição e de substituição dos magistrados, que deve ser protocolada em até três dias.

O recurso sustenta que os juízes designados para analisar o processo teriam posição parcial em relação aos acontecimentos envolvendo Zambelli. Entre os argumentos apresentados, a defesa afirma que a negativa de incluir provas no processo e de ouvir o perito Eduardo Tagliaferro violaria convenções internacionais, o que justificaria a necessidade de mudança no corpo julgador.

Durante a sessão, a ex-parlamentar participou do ato judicial e reconheceu, em uma declaração, ter respeito pelos magistrados, mas afirmou que percebe desinteresse por parte do colegiado e manifestou preocupação de que o julgamento não ocorra de forma imparcial.

A decisão sobre o pedido de substituição ainda não foi tomada pela Corte italiana. A próxima data para nova audiência deverá ser divulgada nos próximos dias, conforme informações apuradas pela reportagem. A expectativa é de que o tribunal avalie a viabilidade de manter o atual colegiado ou abrir espaço para a análise do pedido de mudança.

Fontes ouvidas pela Agência Brasil indicaram que o tribunal considerou não haver tempo suficiente para processar informações enviadas pelo governo brasileiro sobre a prisão de Zambelli, aspecto que também complica a condução célere do processo. A defesa, por sua vez, argumenta que a falta de tempo para avaliar tais informações compromete o devido processo legal.

Entre as acusações que embasam a custódia e o pedido de extradição está a participação de Zambelli em um suposto plano de invasão ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), com apoio do hacker Walter Delgatti Neto. A ex-deputada, que deixou o mandato em dezembro, foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a uma pena de dez anos de prisão. A extradição solicitada pelo governo brasileiro visa o cumprimento dessa pena no Brasil, conforme o curso do processo.

Zambelli permanece em Roma, onde cumpre a pena a que foi condenada pelo STF. O governo brasileiro já informou formalmente que requer a extradição da ex-parlamentar, com base na condenação e na gravidade dos crimes atribuídos a ela no contexto do suposto ataque ao CNJ. A defesa argumenta, ainda, que a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, não atenderia aos padrões de direitos humanos necessários para a custódia de uma figura pública de sua linha de defesa.

O andamento do caso na Itália acompanha o desenrolar de um episódio que envolve questões diplomáticas, jurídicas e de direitos humanos, com reflexos diretos sobre a cooperação entre os dois países em matéria penal. Até o fechamento desta edição, não houve pronunciamento oficial definitivo da Corte italiana sobre a solicitação de mudança no colegiado nem sobre o mérito da extradição.

O processo continua aberto, e uma nova data de audiência deverá ser divulgada nos próximos dias. Enquanto isso, Carla Zambelli permanece sob custódia na Itália, aguardando os desdobramentos que definirão se a extradição seguirá conforme o planejamento inicial do governo brasileiro, ou se haverá ajustes no andamento processual decorrentes do pedido de substituição de juízes apresentado pela defesa.

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