O ex-vereador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina pelo PL, Carlos Bolsonaro, interrompeu nesta quarta-feira (21) a participação na chamada “caminhada da liberdade” para visitar o pai, Jair Bolsonaro, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ao deixar a visita, ele criticou publicamente o tratamento dispensado ao pai, ao ex-ministro da Justiça Anderson Torres e ao ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, afirmando que a situação é humanamente inaceitável e desrespeita a lógica básica.
Após o encontro, Carlos retomou a participação no trajeto, mas já anunciou que voltará a Brasília na quinta-feira (22) para acompanhar novamente a situação de perto. Em sua postagem nas redes sociais, o político deixou claro que não houve desvio de recursos públicos por parte de Bolsonaro, contrastando com acusações feitas por adversários. “É inacreditável ver o estado do ministro da Justiça, de Silvinei Vasques e do meu pai, presos em um complexo penitenciário que abriga criminosos de alta periculosidade”, escreveu em referência ao episódio. O ex-parlamentar manteve a promessa de retornar ao caminho na sequência da semana.
A trajetória de Bolsonaro no caminho de protesto tem como pano de fundo a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A pena foi definida após o ex-presidente ser transferido da Superintendência da Polícia Federal (PF) de Brasília para a Papuda, decisão que teve como justificativa um episódio anterior envolvendo uma queda de cama na cela.
A mudança de regime de cumprimento da pena gerou uma mobilização associada ao protesto, que ganhou ainda mais repercussão a partir da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de mandar Bolsonaro para a Papuda. O movimento uniu apoiadores de Bolsonaro e defensores de pautas alinhadas ao espectro da direita, incluindo políticos e influenciadores que passaram a acompanhar o percurso pela BR-040.
O roteiro atual aponta que o ex-deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) iniciou uma caminhada de aproximadamente 240 quilômetros, da cidade de Paracatu (MG) até a capital federal, com ponto de chegada previsto para este fim de semana. A etapa, que começou na última segunda-feira (19), contava com adesões de parlamentares e figuras da mídia identificadas com a pauta de defesa de Bolsonaro. A previsão de encerramento com uma manifestação em Brasília está marcada para o domingo (25), quando deve ocorrer o encerramento formal do protesto, de acordo com a organização do movimento.
Desde o início da mobilização, o trajeto tem recebido apoio de diferentes setores da base conservadora, que veem a ação como uma resposta às decisões judiciais que, segundo os apoiadores, buscam impor limitações às posições políticas do ex-presidente. A agenda de Carlos Bolsonaro, incluindo a pausa na caminhada para a visita, é apresentada pela defesa como parte das tentativas de acompanhar de perto o andamento do caso e de demonstrar solidariedade à família Bolsonaro.
Os desdobramentos judiciais que envolvem Jair Bolsonaro permanecem como um tema de forte repercussão no debate público brasileiro, com impactos diretos sobre o cenário político e as estratégias futuras de seus apoiadores. A movimentação, que inclui a reorganização de agendas de figuras públicas, segue em curso nos próximos dias, enquanto o país aguarda os desdobramentos legais e as manifestações associadas ao caso.



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