O ex-ministro do Turismo Gilson Machado anunciou nesta quarta-feira, 21, a desfiliação do Partido Liberal (PL), sigla pela qual ocupou espaço na vida pública e manteve proximidade com o presidente Jair Bolsonaro. Sem o respaldo do diretório estadual, ele informou que seguirá em frente com uma candidatura ao Senado por Pernambuco em outra legenda. Em comunicado, Machado ressaltou que continua alinhado aos valores defendidos por Bolsonaro, mesmo não sendo o nome indicado pela cúpula do PL para a disputa.
“O meu caminho segue com base nos princípios que apregoamos e que o presidente Bolsonaro tem defendido para Pernambuco. Contudo, não recebi o aval da direção estadual para avançar na missão de disputar o Senado”, afirmou o ex-ministro. Ele completou, de forma estratégica, que continuará na senda traçada pelo presidente da República.
No cenário interno do PL em Pernambuco, o nome que surgia como provável candidato ao Senado seria o do atual presidente do diretório, Anderson Ferreira. As disputas entre Machado e Ferreira vêm de 2024, associadas a descontentamentos com o suporte político na campanha pela Prefeitura do Recife. Machado tinha reclamado da suposta falta de apoio na eleição municipal da capital pernambucana, alimentando tensões com a cúpula local.
Por sua vez, Ferreira concedeu entrevista à Rádio Folha de Pernambuco, em agosto de 2025, para defender que houve ajuda do partido. Segundo o dirigente, o partido destinou aproximadamente 6 milhões de reais do fundo partidário, enquanto Machado teria exigido 9 milhões de reais e chegou a criticar publicamente o presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto, sob a alegação de descompromisso com as promessas. Ferreira afirmou ainda que precisou atuar como “bombeiro” para apagar choques internos.
Quanto ao próximo passo de Gilson Machado, ele não revelou em qual sigla pretende migrar. A decisão de deixar o PL sem anúncio de destinação reforça a percepção de que o ex-ministro está em uma fase de reacomodação política, com a perspectiva de manter espaço para sua candidatura majoritária em 2026, ainda que em outra legenda que atenda aos seus requerimentos eleitorais.
A cena política em Pernambuco permanece em movimento, com a vaga ao Senado sendo um foco relevante para as alianças regionais. A relação entre figuras próximas a Bolsonaro e lideranças locais do PL continua sob escrutínio, especialmente em um estado historicamente estratégico para o cenário nacional. A comunicação oficial de Gilson Machado deixa claro que, embora o diálogo com o partido tenha chegado ao fim naquele momento, as tratativas para a formação de uma nova aliança ainda estariam em curso, sem qualquer confirmação pública de qual sigla poderá abrigar a futura candidatura.
Resta aguardar os próximos passos do ex-ministro e qual caminho político ele escolherá para a disputa ao Senado por Pernambuco, mantendo o fio de que o apoio de Bolsonaro permanece citado como parte das possibilidades em jogo.



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