A ministra Gleisi Hoffmann anunciou nesta quarta-feira, 21, sua pré-candidatura ao Senado pelo Paraná nas eleições deste ano. O anúncio foi feito após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder do PT, Edinho Silva, e o diretor-geral de Itaipu, Enio Verri, ex-deputado federal pelo estado. Segundo Gleisi, o encontro serviu para confirmar seu alinhamento com o projeto do governo no Paraná e para reforçar que continuará buscando espaço no Senado. Ela, que está licenciada da Câmara dos Deputados, reforçou o compromisso de representar o PT no estado.
O protagonismo de Gleisi no Paraná se sustenta diante de um cenário político em que o partido busca frear a possibilidade de uma vitória dupla da oposição no Senado. A esquerda pretende manter, pelo menos, uma cadeira ocupada pela legenda na região, diante das candidaturas já anunciadas de nomes de partidos de direita que aparecem na disputa pela vaga marcada pelo pleito estadual. Entre as pré-candidaturas relevantes da oposição constam o ex-procurador Deltan Dallagnol, do Novo, o deputado Filipe Barros, do PL, e a também candidata Cristina Graeml, pela União.
Quem já havia sido apresentado como pré-candidato por PT para o Senado, o ex-deputado Enio Verri, acabou abrindo mão do projeto após um pedido do presidente Lula. Em declarações à Gazeta do Povo, durante um evento do governo realizado em Foz do Iguaçu, Verri explicou a mudança de planos: o que estava previamente desenhado — a sua pré-candidatura ao Senado e a de Gleisi para deputada federal — foi alterado na semana anterior. O presidente Lula já o teriam comunicado oficialmente sobre a mudança de rota. “Desta vez quem disputa é a Gleisi”, disse Verri.
A leitura do PT sobre o cenário no estado é clara: Gleisi Hoffmann surge como a principal referência do partido no Paraná, buscando consolidar a presença da sigla e evitar que a direita consolide duas vagas no Senado. A capitalização da legenda no Paraná é vista como peça-chave para manter a influência do campo governista na bancada federal.
A disputa eleitoral deste ano exige dos ministros que pretendam concorrer a cargos eletivos a desfiliação de seus cargos até o dia 4 de abril. A expectativa no entorno do Planalto é de que pelo menos 20 ministros deixem seus cargos para cumprir o prazo de desincompatibilização, abrindo espaço para a participação em campanhas sem vínculo com o governo. Esse movimento, segundo analistas, tende a redesenhar o mapa político do período pré-eleitoral, especialmente em estados onde o cenário está mais competitivo.
No Paraná, a mobilização do PT envolve não apenas Gleisi Hoffmann como candidata ao Senado, mas também a construção de uma frente que fortaleça a atuação do viés governista na região. O partido trabalha para manter o protagonismo no estado, reconhecendo a necessidade de ampliar a votação em nível federal para sustentar a agenda do governo na federação. A confirmação de Gleisi, portanto, coloca o PT numa posição de continuidade e defesa do projeto do presidente Lula no Paraná, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de consolidar alianças locais para enfrentar a oposição que avança com nomes de peso.



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