Início Política Corrupção volta a polarizar o pleito de 2026

Corrupção volta a polarizar o pleito de 2026

Corrupção volta a polarizar o pleito de 2026

Após um período de queda constante, a corrupção voltou a ocupar espaço relevante nas preocupações dos brasileiros, segundo levantamentos de institutos como Genial/Quaest, Datafolha e AtlasIntel/Bloomberg. Embora não haja relação direta com o caso Banco Master nas perguntas, a sequência de episódios envolvendo suspeitas de irregularidades, decisões judiciais controversas e questões institucionais em torno do banco reacende o debate público sobre integridade e funcionamento das instituições.

Segundo o levantamento Genial/Quaest, o tema apareceu em 17% das menções espontâneas entre 8 e 11 de janeiro, indo de 15% para esse patamar. Embora ainda atrás de violência e problemas sociais, esse avanço encerra um longo período de retração da pauta anticorrupção no tecido do debate público. A variação ocorre em meio a uma retomada lenta, com comportamento distinto entre os institutos.

A recuperação da pauta também é observada nos dados do Datafolha, que mostram corrupção mencionada por 8% dos entrevistados em 2023 e, novamente, 8% em 2025. Em comparação histórica, a pesquisa que ampliou o peso da agenda anticorrupção durante a Lava Jato registrou índices muito mais elevados há anos, quando ações de prisão e delação premiada mantinham o tema em evidência.

Já o AtlasIntel/Bloomberg traz picos mais agudos: em maio de 2025, 59,5% dos brasileiros classificaram a corrupção como o maior problema do país, crescendo para 64,7% na leitura divulgada em dezembro do mesmo ano. Diferentemente, as leituras relacionadas ao tema como problema isolado variaram conforme a metodologia de cada estudo, o que explica parte da disparidade entre os resultados.

Apesar da diferença entre as leituras, os levantamentos convergem na leitura de que a retomada da preocupação com corrupção ocorre em um contexto de esvaziamento da agenda anticorrupção. Esse cenário tem sido alimentado por investigações menos constantes, mudanças no entendimento jurídico sobre prisão após condenação em segunda instância, anulações de sentenças e arquivamentos envolvendo políticos e empresários, o que gerou desgaste e ceticismo entre eleitores.

O caso Banco Master acabou por expandir essas discussões. As investigações apontam operações que, somadas, podem alcançar até 17 bilhões de reais, com esquemas envolvendo carteiras de crédito fictícias e desvios de recursos, inclusive com ligações ao Banco de Brasília (BRB). Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição. O desfecho judicial ganhou contornos no Supremo Tribunal Federal (STF), com a atuação do relator Dias Toffoli, que deslocou o caso após a prisão do controlador, sob a alegação de foro privilegiado de um parlamentar citado nos autos. Em seguida, Toffoli determinou o sigilo máximo sobre o processo, medida criticada por organizações de transparência por restringir o acesso a informações.

Outros episódios vinculados ao caso também repercutiram de forma significativa. Um deles envolve uma viagem de jato particular de Toffoli a um país vizinho, com a participação de um advogado que atua em defesa de investigados ligados ao Master. Também chamou a atenção a atuação de Alexandre de Moraes, que teria mantido contatos com o presidente do Banco Central sobre a situação da instituição e a possível venda do Master ao BRB; Moraes sustenta que a reunião tratou de sanções da Lei Magnitsky e não do caso em si. Além disso, veio a público um contrato milionário entre o Master e o escritório da esposa de Moraes, sem detalhamento público sobre serviços prestados, o que ampliou a percepção de proximidade entre autoridades e o caso.

Para especialistas, o conjunto de decisões, relações e episódios ao redor do Master impede que o episódio seja visto apenas como uma investigação financeira. Há quem sugira que o STF fica, nesse contexto, sob o escrutínio público pela primeira vez como ator central de um potencial conflito de interesses percebido. A percepção de falta de transparência institucional alimenta o ceticismo, especialmente em um momento em que a pauta anticorrupção tenta melhorar certa resiliência para influenciar o cenário político.

O debate sobre o impacto político do caso não é uniforme. Alguns analistas entendem que escândalos podem, sim, repercutir no campo eleitoral, desde que haja mobilização eficaz da oposição. Outros lembram que episódios com maior facilidade de compreensão, como erros de condução de políticas públicas que afetam pensionistas, costumam gerar indignação mais rápida do que esquemas financeiros complexos. Ainda assim, a possibilidade de o tema ressurgir de forma relevante na disputa presidencial de 2026 é considerada real, sobretudo se novos desdobramentos alimentarem críticas consistentes às instituições.

Metodologias dos levantamentos: o Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 8 e 11 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O AtlasIntel/Bloomberg realizou, em maio de 2025, 4.399 entrevistas on-line, com margem de erro de 1 ponto percentual e 95% de confiança; ainda houve outra coleta, em dezembro de 2025, com 18.154 entrevistas, nas mesmas condições. O Datafolha, em 2025, aplicou 2.002 entrevistas em 113 municípios, com margem de erro máxima de 2 pontos percentuais e 95% de confiança.

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