O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), criticou nesta quarta-feira (21) a decisão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de cancelar a visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, em Brasília. A viagem, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), estava marcada para esta quinta-feira (22). O governador chegou a confirmar a ida à capital federal antes da suspensão.
Segundo Mello Araújo, em entrevista ao Valor Econômico, a visita seria um gesto humanitário e ganha ainda mais relevância pela atual situação de Bolsonaro. “Tarcísio deveria ir. É um equívoco cancelar. A visita é um gesto humanitário. É muito necessário que ele vá [visitá-lo]”, afirmou o vice-prefeito, ressaltando que Bolsonaro passa por um momento difícil.
Antes da suspensão, Tarcísio havia sinalizado que iria a Brasília para manifestar solidariedade ao aliado. O governador disse que iria, sobretudo, prestar apoio ao ex-presidente, verificar se ele precisa de algo e reforçar que poderá contar com seu respaldo. As declarações foram feitas a jornalistas na terça-feira (20).
No cenário político, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já havia dito que Bolsonaro pretendia impor um “ultimato” a Tarcísio, destacando a importância da reeleição do governador de São Paulo para a estratégia de derrota do PT. Em entrevista à CNN Brasil, Flávio afirmou que o pai pretende que o candidato da direita seja ele próprio, e que Tarcísio, por sua vez, sempre negou a intenção de disputar o Planalto e declarou apoio a Flávio.
Diante dessa conjuntura, o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, informou que a visita foi adiada mediante solicitação de Tarcísio para cumprir compromissos no estado. Uma nova data seria providenciada posteriormente. A nota oficial não detalhou quais compromissos motivaram o adiamento.
Para Mello Araújo, a percepção pública seria de que grande parte da população gostaria de ter oportunidade de se aproximar de Bolsonaro. O vice-prefeito comentou ainda que, do ponto de vista da direita, Bolsonaro já definiu que Flávio é o caminho e que não haveria espaço para disputas internas sobre esse tema. “O governador sempre fala que será candidato à reeleição. Só se ele fala uma coisa e atua para ser outra coisa”, criticou, sugerindo que poderia haver contradição entre discurso e prática.
A reportagem também envolve a percepção de que não houve um atrito explícito entre Tarcísio e Bolsonaro, conforme avaliou Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, Costa Neto afirmou não haver climão entre o governador e Bolsonaro após o cancelamento da visita. Ele destacou que Tarcísio apoiará a campanha de Flávio ao Planalto e classificou a relação como estável, atribuindo qualquer repercussão a especulações fomentadas pelo PT.
O episódio também expôs tensões observadas recentemente entre aliados do governo de São Paulo e o entorno de Bolsonaro. No dia 14, Michelle Bolsonaro (PL) e Tarcísio foram alvo de críticas de segmentos da direita após curtirem um comentário feito pela primeira-dama de São Paulo, Cristiane Freitas, que dizia que o Brasil precisava de um “novo CEO”. Cristiane postou um vídeo enfatizando críticas ao governo Lula (PT). Carlos Bolsonaro (PL) reagiu, acusando alguns aliados de serem “isentões” que teriam se destacado graças a Jair Bolsonaro. Em resposta, Michelle Bolsonaro chamou o jornalista Allan dos Santos de “boneco de ventríloquo de canalhas”, num desdobramento que manteve acesa a tensão entre apoiadores da família Bolsonaro e seus críticos.
A situação segue indefinida: a data da visita a Bolsonaro deve ser remarcada, conforme informado pela assessoria do governo paulista, que reiterou o compromisso de promover o encontro assim que houver disponibilidade. Enquanto isso, o debate sobre alianças, estratégias eleitorais e a relação entre Tarcísio, Bolsonaro e Flávio permanece no centro das articulações políticas no cenário nacional.



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