A defesa de Jair Bolsonaro (PL) obteve autorização do ministro do STF Alexandre de Moraes para uma visita de Jorge Antônio de Oliveira, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), ao ex-presidente. Oliveira era ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República no governo Bolsonaro — cargo hoje ocupado por Guilherme Boulos — e foi indicado ao TCU em 2020 pelo então presidente.
A solicitação acontece em meio ao envolvimento do TCU no caso do Banco Master. O tribunal decidiu iniciar uma verificação junto ao Banco Central do Brasil para apurar se a liquidação extrajudicial do banco foi realmente necessária, movimento que suscitou atritos entre as duas instituições. A controvérsia envolve avaliações técnicas sobre o que motivou medidas de intervenção e o papel do BC no episódio, ampliando tensões entre o TCU e o órgão regulador.
A visita, autorizada pela defesa de Bolsonaro, estava prevista para esta quinta-feira (22), entre 8h e 10h. Além do ex-presidente, estavam na programação as visitas de Diego Dourado, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), e de Bruno Scheid, ex-assessor de Bolsonaro. De acordo com as regras do estabelecimento prisional, as visitas devem ocorrer às quartas e quintas-feiras, com três janelas de horário disponíveis: 8h às 11h, 11h às 13h e 14h às 16h. A diferença entre o intervalo divulgado e as regras internas reflete a particularidade da agenda daquela semana.
Bolsonaro foi transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, logo após um exame médico que identificou uma queda ocorrida em sua cela na Superintendência da Polícia Federal. Os médicos constataram traumatismo cranioencefálico leve. Em decisão vinculada à transferência, Moraes determinou que o ex-presidente recebesse atendimento médico em tempo integral e autorizou previamente a visita de médicos particulares, assegurando acompanhamento adequado à condição de saúde do ex-chefe do Executivo.
A agenda de visitas também se desenha em meio a leituras políticas de bastidores. O caso Master envolve não apenas aspectos técnicos de supervisão financeira, mas também tensões políticas entre atores do espectro da direita. O Centrão já indicou a maioria dos ministros do TCU para julgar a atuação do Banco Central no episódio, o que alimenta expectativa sobre desfechos administrativos e regulatórios relacionados ao tema. Em paralelo, houve recusas de visitas anteriormente anunciadas, como a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que cancelou uma visita a Bolsonaro citando motivos de agenda.
Apesar das circunstâncias, a autorização para a presença do ministro do TCU junto ao ex-presidente representa uma etapa relevante de aproximação institucional em meio a disputas técnicas entre o TCU e o BC. A ofensiva do caso Master segue sendo observada com atenção por autoridades e pela confirmação de que novos desdobramentos podem surgir a partir das apurações já em curso.
Em resumo, a visita pretendida pela defesa de Bolsonaro visa manter o contato institucional com um membro do TCU ligado ao histórico governo, em meio a investigações que envolvem o Banco Master e a atuação do Banco Central. A transferência de Bolsonaro para a Papuda, por sua vez, permanece condicionada à vigilância médica contínua, conforme decisão anterior, com garantia de acompanhamento clínico e de visitas autorizadas para autoridades e assessores próximos.



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