Uma caminhada de aproximadamente 240 quilômetros, iniciada na última segunda-feira, 19, em Paracatu (MG), com a presença do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e cerca de 20 acompanhantes, segue em direção a Brasília (DF). Ao longo do trajeto, o grupo tem recebido apoio espontâneo de moradores, produtores rurais e simpatizantes, além de contar com esquema de apoio logístico e monitoramento.
Segundo relatos, parte do deslocamento tem contado com escolta aérea, com a presença de vários helicópteros que acompanharam o grupo em trechos da rota. Em várias passagens, caminhantes foram recebidos com recepções calorosas por quem cruzava a BR-040, incluindo demonstrações de apoio alimentar e elogios à mobilização.
Responsáveis pela organização destacam a participação de pessoas que, desde o começo, contribuíram de forma prática para enfrentar as dificuldades do percurso. Amanda Caixeta, assessora de um deputado federal de Goiás, descreveu o apoio recebido nas primeiras etapas: “Teve fisioterapeuta atendendo o Nikolas em restaurante do caminho e um pessoal que ofereceu massagem nos pés de todos os participantes que caminhavam até Cristalina, Goiás”. Acompanhantes ressaltaram que compactuar com os moradores próximos à rodovia e com apoiadores de outras cidades deu ânimo para superar a chuva, a dor e o cansaço dos dias iniciais.
Relatos de vídeos publicados por integrantes do movimento mostram cenas de solidariedade ao longo das cidades, com distribuição de água, isotônicos, doces e refeições aos caminhantes. Em um dos registros, o influenciador Wess Guimarães interroga uma família de apoiadores que se encontrava no trajeto sobre o custo da mobilização; a resposta foi uma expressão coletiva de apoio, acompanhada de um “Jesus!”, segundo o vídeo compartilhado.
Apoios também vieram do setor rural. O senador Marcio Bittar (AC) divulgou nas redes sociais um dos momentos de alimentação compartilhada por voluntários goianos, com um estande de picanha contratado por produtores locais. A estrutura utilizou peças de carne com rótulos alusivos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A iniciativa é descrita como um gesto de solidariedade à caminhada, em eco de declarações que associam o consumo de carne a temas econômicos e de renda. A referência à fala de Lula em 2022, quando declarou que “o povo voltaria a comer picanha” para ilustrar melhoria de renda, voltou a aparecer em discussões públicas sobre preços da carne.
Além da alimentação, fazendeiros e trabalhadores rurais têm contribuído com o acolhimento ao longo do trajeto, com máquinas agrícolas posicionadas nas margens da rodovia, bandeiras do Brasil, faixas com mensagens de apoio como “Força, Nikolas”, fogos de artifício e caixas de som com o hino nacional. O grupo também conta com suporte médico para emergências e com escolta policial para que os caminhantes permaneçam no acostamento, sem ocupar a pista. Gabriel Casusa Benini, 23 anos, que trabalha no gabinete de um vereador de São Paulo (ambos ligados ao PL), ressaltou a organização e a presença de caminhoneiros que buzinam em apoio, além da recepção em cidades ao longo do percurso. “Todo mundo presta algum tipo de apoio e está muito organizado”, afirmou.
A viabilidade de continuidade do movimento, segundo os organizadores, dependerá da conclusão programada para o próximo domingo, 25, em Brasília. Ao meio-dia, a Caminhada Pela Justiça e Liberdade deve encerrar na Praça do Cruzeiro, com uma manifestação pacífica prevista na capital federal. Nikolas Ferreira descreveu, em discurso feito na noite de quarta-feira, 21, a inspiração pessoal que move a iniciativa: “Deus colocou isso em mim há muito tempo”. Em tom de afirmação, acrescentou que, se as condições permitirem, o grupo pretende fazer da chegada a Brasília a maior caminhada já realizada no país. “Se Deus permitir, no dia 25, em Brasília, vamos fazer a maior caminhada da história deste país. Acorda, Brasil!”, afirmou o parlamentar.
Ao longo do trajeto, a mobilização tem gerado visibilidade para pautas que o apoio político associou a uma agenda de oposição, com relatos de participação de diversas lideranças e de apoiadores de diferentes regiões. O movimento, que começou com um grupo reduzido, ampliou-se com o tempo, revelando uma rede de apoio variada, que envolve trabalhadores rurais, empresários de Goiás, ativistas digitais e representantes de pautas conservadoras. Resta saber como esse mosaico de ações se desenhará nos próximos dias, até a conclusão na capital federal.



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