Início Política Grupo opositor amplia acusações contra Dias Toffoli no STF

Grupo opositor amplia acusações contra Dias Toffoli no STF

Grupo opositor amplia acusações contra Dias Toffoli no STF

Novos indícios de possíveis conflitos de interesse envolvendo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), alimentaram nesta semana a ofensiva de oposição no Congresso contra o magistrado. Além das perguntas sobre a atuação de Toffoli no inquérito que apura fraudes no Banco Master, parlamentares passaram a reunir informações sobre um resort com cassino ligado a familiares do ministro — empreendimento que, até fevereiro de 2025, pertencia a dois irmãos dele. As novas informações intensificaram pedidos de impeachment e de atuação do Ministério Público, além de solicitações de investigação pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná, passou a ser alvo de investigações em função de relatos de que operava um cassino com máquinas caça-níqueis e mesas de pôquer. Segundo informações divulgadas pela imprensa, funcionários do estabelecimento referiam-se ao local como “o resort do Toffoli”, ainda que a propriedade não estivesse mais ligada à família do ministro. O empreendimento foi originalmente erigido pela incorporadora controlleda pelos irmãos do magistrado, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Toffoli. A sociedade também integrava um fundo de investimentos associado a uma rede financeira controlada por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Na prática, o Tayayá Resort foi vendido para um advogado ligado à empresa J&F, grupo conhecido pelos empresários Joesley e Wesley Batista. A operação de venda e os desdobramentos econômicos ligados ao empreendimento passaram a figurar nas discussões sobre eventuais conflitos de interesse envolvendo Toffoli, sobretudo à luz de evidências de relações societárias e de investimento conectando o empreendimento a familiares do ministro e a interesses ligados ao Master.

O corpo político passou a atuar de forma coordenada para ampliar o escrutínio. No dia 14 de janeiro, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) protocolou junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido para que a atuação de Toffoli como relator do caso Master fosse avaliada sob a ótica de possível impedimento. A peça também apontou decisões do ministro ao longo da investigação, como a determinação de lacrar materiais apreendidos em uma das fases da operação, mantendo-os sob custódia do STF, o que dificultou o acesso da Polícia Federal às provas. Toffoli recuou em parte dessa avaliação e determinou, recentemente, que materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero fiquem sob custódia da PGR. Mesmo assim, o pedido de impeachment foi protocolado pelo grupo oposicionista no mesmo dia.

A partir de então, Girão, a deputada Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-ES) ampliaram a denúncia ao apresentarem, com o reforço de novos elementos, um aditamento ao pedido inicial. Segundo eles, há crimes de responsabilidade relacionados à condução de inquéritos envolvendo fraudes no Banco Master, bem como suspeições e possíveis relações extraprocessuais. “Ou o ministro pede para sair ou as autoridades constituintes têm o dever de afastá-lo. Os ministros do STF perderam o pudor diante da certeza da impunidade”, disse Girão, em referência ao atual cenário. Malta, por sua vez, destacou a necessidade de encaminhar o tema ao processo de impeachment.

Do lado da defesa, Toffoli já sinalizou resistência. O ministro reafirmou que não deixará a relatoria do caso Master e que vai enfrentar as pressões, mantendo firme o mandato constitucional. A tramitação dos pedidos depende, porém, da atuação das autoridades competentes: a PGR, sob a condução do procurador-geral Paulo Gonet, e a presidência do Senado, hoje sob Davi Alcolumbre (União-AP).

Na Câmara, a ofensiva ganhou novo desdobramento com o protocolo de um novo requerimento pela deputada Carol De Toni (PL-SC). Ela solicita declarar Toffoli impedido de atuar em processos vinculados ao caso Master, com apoio de Carlos Jordy (PL-RJ) e Adriana Ventura (Novo-SP). O documento foi encaminhado à PGR, que, no entanto, já havia arquivado requerimento semelhante. De Toni afirma que impedimentos de magistrados são matérias de ordem pública e não expiram, podendo ser discutidos a qualquer momento diante de fatos novos.

Outro registro de solicitações partiu do deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS), que encaminhou pedidos ao corregedor nacional do CNJ, Mauro Campbell Marques, e à PGR, pleiteando abertura de investigações contra Toffoli. O congressista sustenta que as informações reunidas apontam para possível participação econômica indireta ou sociedade de fato oculta, com impactes sobre a imparcialidade do magistrado. À CNJ, Sanderson argumentou que, se comprovados, os fatos poderiam configurar infrações disciplinares previstas na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN), violando princípios da impessoalidade, moralidade e probidade administrativa.

Ao lado do escrutínio parlamentar, a avaliação de analistas políticos aponta um acúmulo de desgaste para o STF. Especialistas destacam que a soma de controvérsias em torno de Toffoli — incluindo a relação com o Banco Master e o caso do Tayayá Resort — alimenta a percepção de instabilidade institucional e aumenta a pressão por mudanças ao redor do tribunal. Alguns comentam que a crise pode gerar reações internas na Corte, com possíveis movimentos para enquadrar o ministro, enquanto outros ressaltam que mudanças de relatoria não garantem, por si só, desfechos que responsabilizem criminalmente quem quer que seja.

Em resposta institucional, o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, divulgou uma nota na quinta-feira (22) enfatizando que crises não suspendem o Estado de Direito. Ele destacou a atuação necessária do Banco Central para a estabilidade financeira, da Polícia Federal para a apuração de crimes e da PGR para a persecução penal, reiterando que o STF atua como guardião da Constituição. Fachin também afirmou que a Corte não se curva a pressões ou tentativas de desmoralização, defendendo transparência, ética e credibilidade como pilares do funcionamento do Judiciário. A nota reforçou o compromisso com o devido processo legal, a legalidade e a independência institucional, mesmo em períodos de recesso, quando decisões urgentes podem ser tomadas nos termos regimentais e, posteriormente, submetidas ao colegiado.

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