Início Política Gonet e PGR encerram pedidos para retirar Toffoli no Master

Gonet e PGR encerram pedidos para retirar Toffoli no Master

Gonet e PGR encerram pedidos para retirar Toffoli no Master

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu pelo arquivamento de três representações formuladas pela oposição que solicitavam o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), da relatoria do inquérito que investiga o Banco Master. Em nota encaminhada à Gazeta do Povo, a PGR informou que também recebeu ao todo quatro procedimentos com o mesmo objetivo, sendo que o primeiro ainda está em análise e os protocolados posteriormente foram arquivados.

As iniciativas foram apresentadas em 10 de dezembro de 2025 pelos deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC). O motivo citado pelos parlamentares envolvia a viagem de Toffoli a Lima, no Peru, acompanhando o advogado de um dos investigados no caso. No dia 15 seguinte, o procurador-geral decidiu arquivar essa solicitação sem examiná-la detalhadamente, argumentando que o tema já se encontra sob apuração regular no STF, com atuação da PGR.

Segundo o que foi informado pela PGR, não houve necessidade de qualquer medida adicional naquele momento, uma vez que o inquérito já tramita sob a supervisão do STF e com a participação normal da Procuradoria. A nota não detalha o que motivou o arquivamento específico, limitando-se a afirmar que o caso já é objeto de apuração.

A oposição não recuou, e a deputada Caroline de Toni manteve a linha de contestação. Em entrevista recente, ela apontou um possível “conflito de interesse” envolvendo o ministro, sugerindo que a suposta relação entre Toffoli e algumas pessoas ligadas ao caso poderia favorecer determinados desfechos processuais. A parlamentar afirmou que encaminhará novos argumentos à PGR para subsidiar uma eventual ação de suspeição, destacando alegadas ligações entre o ministro e indivíduos ligados ao Banco Master.

Entre os elementos citados pela oposição para sustentar o conflito de interesse, estão vínculos de parentes próximos de Toffoli com empresas associadas ao resort Tayayá, no Paraná, que teriam uma relação indireta com o Banco Master por meio de fundos de investimento. Segundo apuração publicada pela imprensa, o Arleen Fundo de Investimentos tinha participação em um terceiro do resort de Ribeirão Claro (PR) e investiu na DGEP Empreendimentos, incorporadora local em que um primo do ministro já atuou como sócio.

A cadeia de investimentos mencionada envolve ainda o Arleen como cotista do RWM Plus, que, por sua vez, teria recebido aportes de fundos como o Maia 95 — um dos seis fundos citados pelo Banco Central como integrantes da suposta teia de fraudes vinculadas ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Essa conexão é apresentada pela oposição como uma pista de possível influência indevida sobre o inquérito.

A reportagem de um jornal da imprensa paulista acrescenta que a sede da Arleen estaria registrada em um imóvel de cerca de 130 metros quadrados, onde reside a família de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro. Segundo a publicação, José Eugênio é apontado como diretor-presidente da Maridt, empresa ligada ao caso. A publicação consultou a cunhada de Toffoli, que negou qualquer envolvimento do irmão com o Tayayá.

Já o portal Metrópoles trouxe a informação de que o resort operava um cassino com máquinas de caça-níqueis e mesas de pôquer. Funcionários teriam descritivo interno referindo-se ao local como “o resort do Toffoli”, ainda que a família do ministro não detenha mais participação acionária na empresa. Em fevereiro de 2025, a Maridt vendeu integralmente suas participações no Tayayá, encerrando a ligação formal com o empreendimento. As cotas teriam sido adquiridas pela PHB Holding, controlada pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que já atuou em causas tributárias para a JBS, ligada à holding J&F, conforme apuração publicada.

Outras informações indicam que, em 2021, parte da participação no Tayayá chegou a ser vendida a um fundo ligado ao pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Esse vínculo é citado pela oposição como mais um elemento que alimenta a alegação de possível conflito de interesses envolvendo Toffoli na condução do inquérito do Banco Master.

Concluídas as etapas de arquivamento, a Procuradoria manteve o posicionamento de que o caso permanece sob apuração no STF, com atuação regular da PGR, não havendo, no momento, providências adicionais demandadas pela autoridade competente. A oposição, por sua vez, continua a pressionar por medidas que consideram cabíveis para afastar Toffoli da relatoria.

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