Um escritório de advocacia associado à família do ministro Alexandre de Moraes aparece como terceiro interessado sigiloso em um processo da Justiça Federal de São Paulo, representando o Banco Master. A informação foi publicada pelo jornal O Globo, que aponta que a atuação da dupla de advogadas continua em aberto pela instituição financeira, conforme apurado no relatório citado pelo veículo.
A decisão, sigilosa, foi assinada pela juíza federal Maria Isabel do Prado na noite do dia 16. O documento determina o envio do caso ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além de Viviane Barci de Moraes, dois filhos do ministro do STF, Alexandre e Giuliana, figuram como integrantes do escritório Barci de Moraes atuando em defesa do Master.
A Gazeta do Povo buscou contato com o escritório de Viviane Barci de Moraes e com o Banco Master para comentar a apuração, porém não houve pronunciar de ambas as partes. O jornal registrou que as partes não irão se manifestar.
O contrato entre o escritório Barci de Moraes e o Banco Master, apreendido na primeira fase da operação Compliance Zero, tem um escopo amplo e não aponta um processo específico. O documento deixa claro apenas o objetivo de representar o banco “onde for necessário”. A Justiça Federal aponta que os serviços advocatícios continuaram mesmo após a liquidação do Master. O acordo previa pagamento de R$ 129 milhões caso fosse integralmente cumprido, valor que não foi pago por conta da intervenção do Banco Central.
Mensagens obtidas pelos investigadores reforçam a relevância do contrato para a antiga diretoria do banco. Em comunicações internas, Vorcaro afirmava que os pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes eram “prioridade total” e não poderiam deixar de ser efetuados “em hipótese alguma”.
O caso chegou ao STF por meio de conexões apontadas entre a apuração da construtora Gafisa e investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master, citadas na denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra os investidores Nelson Tanure e Gilberto Benevides. As ligações teriam sido mencionadas pela defesa de Tanure, que também é investigado no episódio envolvendo o banco, conforme reconhecimento das partes envolvidas em dezembro.
O Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro, figura como terceiro interessado na ação. Essa posição não implica participação direta desde o início, mas reconhece interesse jurídico da instituição no desfecho do processo. Embora o MPF não tenha denunciado Daniel Vorcaro nem o Banco Master no âmbito da ação ligada à Gafisa, as apurações miraram gestoras e fundos vinculados ao banco. Desse modo, decisões do STF podem afetar interesses do banqueiro e da instituição já liquidada.
Caso o inquérito avance até o plenário da Corte, o processo encaminhado por Dias Toffoli poderá ser apreciado por Alexandre de Moraes. Nesse cenário, o ministro poderia se declarar impedido por eventual conflito de interesse decorrente da participação da esposa na defesa do Master.
Além de Viviane Barci de Moraes e de seus filhos, a apuração também cita como terceiros interessados o investidor Vladimir Joelsas Timerman, sua gestora Esh Capital, a própria Gafisa e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Todos esses atores podem ser impactados conforme o avanço dos procedimentos e o eventual desfecho judicial.



Deixe uma Resposta