A corrida presidencial portuguesa entrou em uma nova fase neste domingo, quando André Ventura, líder do partido de perfil conservador Chega, garantiu vaga no segundo turno e abriu caminho para a definição do próximo presidente do país. A votação de segundo turno está marcada para 8 de fevereiro, encerrando um ciclo que, pela primeira vez em quatro décadas, terá uma disputa com etapas mais de uma eleição. No primeiro turno, Ventura ficou em segundo lugar, com aproximadamente 23,5% dos votos, atrás do socialista António José Seguro, que alcançou cerca de 31% e não atingiu a maioria necessária para vencer já no primeiro escrutínio.
Ventura é conhecido por defender uma agenda nacionalista e políticas de controle mais rígido da imigração, posicionamentos que marcaram o crescimento recente do Chega no espectro político de Portugal. O avanço ao segundo turno, portanto, consolida uma candidatura com traços fortes de oposição às velhas dinâmicas partidárias que dominaram o cenário lusitano nas últimas décadas.
A repercussão nas redes sociais brasileiras, especialmente entre apoiadores de figuras associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi marcada por celebrações e elogios ao desempenho do candidato. Políticos de direita destacaram o resultado como sinal de resistência a projetos de orientação mais progressista no continente europeu.
Entre os destaques de apoio no Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parabenizou Ventura, compartilhando mensagem em que o candidato celebra a vitória parcial e afirma que os portugueses merecem um futuro livre das mazelas do socialismo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também comentou, parabenizando os eleitores portugueses, ao compartilhar imagens ao lado de Ventura em redes sociais.
Outras avaliações vieram da parlamentar Caroline De Toni (PL-SC), que comemorou o desempenho do Chega e criticou a esquerda portuguesa, afirmando que o partido cresce como oposição ao que chamou de “sistema socialista” que dominaria Portugal há décadas. A deputada Julia Zanatta (PL-SC) também reagiu, celebrando a aproximação da direita no cenário global. Já o vice-líder da oposição, Carlos Jordy, escreveu que a eleição representa um passo importante para uma retomada da direita na Europa, saudando o fim da hegemonia da esquerda em Portugal.
A toada de mensagens de apoio se manteve com a deputada Bia Kicis (PL-DF), que elogiou a realização de um segundo turno e cobrou apoio à candidatura de Ventura na fase decisiva, sugerindo que brasileiros no exterior podem influenciar o resultado em Portugal.
Entre os registros de posicionamentos de Ventura no passado, a campanha de 2023 ganhou especial atenção. Em uma passagem no parlamento português, ele chegou a expressar solidariedade a parcela de brasileiros que não aceitava a eleição de Lula, a quem se referiu como “bandido” em meio a críticas ao governo brasileiro. O então deputado também atacou o alinhamento de Lula com a Rússia e com a China, além de questionar a condução de políticas de diplomacia por Portugal no âmbito europeu, em meio a acusações de corrupção associadas a casos envolvendo o líder brasileiro. Os colegas parlamentares o interromperam e censuraram a fala, que acabou virando tema de ampla difusão.
A ida de Ventura ao segundo turno muda o cenário do pleito em Portugal e promete reacender o debate público sobre questões de imigração, segurança pública e alianças internacionais. O país volta às urnas em 8 de fevereiro para a definição do próximo presidente, em disputa marcada pela incerteza de resultados e pela intensificação do embate ideológico que tem ganhado espaço nos discursos de esquerda e direita na Europa e além.



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