Flávio Bolsonaro mantém candidatura presidencial e busca unidade da direita
Pouco mais de um mês após anunciar sua pré-candidatura, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elevou o tom de afirmação sobre sua postulação para a Presidência. Em Brasília, o senador confirmou que não haverá recuo e classificou a decisão como irreversível, dizendo atuar por delegação expressa do pai, Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, ele também reforçou a estratégia de construção de uma frente ampla na direita e no centro-direita.
A firmeza veio acompanhada de argumentos políticos e de avaliações recentes de pesquisas. A Quaest, divulgada nesta quarta-feira (14), mostrou avanço de seis pontos percentuais na intenção de voto do parlamentar após pouco mais de um mês de pré-campanha. No cenário sem a participação de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio subiu de 26% para 32%, enquanto Lula (PT) mantinha 39%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 8 e 11 de janeiro, com margem de erro estimada em dois pontos percentuais para mais ou para menos. O registro da pesquisa no TSE tem protocolo BR-00835/2026.
Horas antes de anunciar, Flávio esteve na Superintendência da Polícia Federal, onde visitou o pai. Logo depois, houve a transferência de Jair Bolsonaro para a Papudinha, o que serviu de contexto para o discurso do senador sobre a necessidade de manter “unidade com todo mundo” dentro do espectro político à direita e ao centro-direita. Em suas palavras, não haveria “outra possibilidade de candidatura” em discussão.
Ao ampliar o tom político, Flávio busca dissipar ruídos internos. Negou que haja fissuras com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ou com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que alguns viam como possíveis apostas do Centrão para substituir o senador nessa corrida. Segundo ele, o movimento atual é de convergência em torno de seu nome, mantendo o respeito aos respectivos tempos para que cada um possa formalizar o apoio.
A tensão entre Flávio e Tarcísio ganhou relevância após Michelle interagir com uma postagem do governador que citava a necessidade de um “novo CEO” para o Brasil. Em resposta, Tarcísio afirmou tratar-se de um desabafo político contra o PT e o presidente Lula, destacando que continua ao lado de Flávio e que seu próprio foco é a reeleição em São Paulo. Em relação a eventual pressão por parte de Tarcísio, Flávio disse confiar no apoio do aliado e afirmou que o palanque paulista, com um governador bem avaliado, é uma vantagem significativa para qualquer candidato.
Na prática, o alinhamento com Tarcísio ganhou contornos mais explícitos nesta quinta-feira (15). O governador de São Paulo sinalizou de forma enfática que Flávio é seu candidato e reforçou a ideia de que a direita estará unida em torno de um único nome, atribuindo esse papel ao senador: “A direita vai estar unida em torno de um nome. E o meu nome é o Flávio.”
O cenário nacional também envolve outros agentes políticos que tentam moldar o mapa da direita e da centro-direita. O PSD tem movimentado peças com o objetivo de consolidar apoio em diferentes estados, inclusive com sondagens para Ratinho Júnior (PR) e conversas sobre composição. O PP e o União Brasil atuam em negociações que envolvem o futuro da aliança, enquanto o PT e o petismo permanecem como referência de oposição no debate nacional.
Analistas avaliam que a reorientação do tabuleiro se dá em função da leitura de que o eleitorado tende a deslocar-se para a direita, abrindo espaço para o crescimento de uma candidatura como a de Flávio Bolsonaro, mesmo com a forte polarização envolvendo Lula. O professor de Ciências Políticas da UFPI, Elton Gomes, aponta que a centro-direita atua de forma pragmática, buscando ganhos junto a um eleitorado que ficou mais propenso a rejeitar a polarização entre PT e o “bloco” Bolsonaro. Segundo ele, líderes partidários poderão exigir contrapartidas em troca de apoio a Flávio, dado o cenário de competição acirrada e a necessidade de compor maioria no Congresso, mesmo com a possibilidade de vitória no primeiro turno.
Especialistas também destacam que o calendário eleitoral ainda exige cautela. O prazo de desincompatibilização de autoridades que pretendem disputar cargos eletivos se aproxima, com estimativa de definição até o dia 4 de abril. Enquanto isso, o aceno de lideranças do centrão e de partidos de direita para Flávio continua a moldar as estratégias de candidatura, com betonadas discussões sobre coalizões, nomes de vice e possíveis compensações regionais para consolidar o projeto de Plano de Governo.
Em síntese, Flávio Bolsonaro afirma permanecer na disputa, enquanto busca ampliar alianças que tornem viável uma frente ampla contra o atual presidente, Lula, e consolidem seu espaço no cenário eleitoral. A movimentação indica que o campo da direita e da centro-direita está disposto a articular acordos para aumentar a competitividade no recente ciclo de pré-campanha, com as próximas semanas ainda carregadas de negociações estratégicas.



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