Lula defende diálogo e soberania diante de ações militares internacionais na Venezuela
Em mensagem publicada neste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou abertamente ações militares dos Estados Unidos na Venezuela, classificado por ele como lamentáveis. O relato, divulgado em análise de cenário internacional, aponta que tais iniciativas ajudam a provocar a erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
O chefe de Estado ressaltou que o uso da força não pode se tornar prática recorrente para resolver disputas entre nações. Na leitura de Lula, decisões unilaterais e incursões com caráter coercitivo ferem princípios básicos que deveriam reger as relações entre países, sobretudo entre democracias. O tom foi de firme oposição a qualquer atitude que desrespeite o multilateralismo e as regras compartilhadas pela comunidade internacional.
Ao falar sobre a Venezuela, Lula frisou o primado da soberania popular. Em suas palavras, o futuro do país deve permanecer nas mãos do seu povo, sem que estados emergentes imponham soluções de fora para dentro. Disse ainda que não é legítimo que outra nação pretenda fazer justiça por meios que subvertem a vontade popular. A ideia central é que, sem regras acordadas coletivamente, não há como construir sociedades livres, inclusivas e estáveis.
O presidente brasileiro reiterou a importância do diálogo como único caminho para a pacificação e a resolução de conflitos na região. Em sua avaliação, cooperação entre Brasil e Estados Unidos pode avançar por meio de canais diplomáticos e de projetos conjuntos, desde investimentos até comércio e combate ao crime organizado. Lula ressaltou que Brasil e EUA somam as duas maiores populações entre as democracias do continente americano, o que, segundo ele, oferece base para parcerias que promovam desenvolvimento e segurança regional.
Outro eixo destacado foi o papel do Brasil na relação com a Venezuela. Lula mencionou o apoio brasileiro a milhares de venezuelanos que buscaram refúgio no país, destacando a necessidade de um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, capaz de abrir caminho a um futuro democrático e sustentável. O presidente enfatizou que o Brasil continua trabalhando com o governo e a população venezuelana para proteger a fronteira de aproximadamente 2.200 quilômetros que o Brasil compartilha com a Venezuela e para aprofundar a cooperação entre as nações.
Em termos de área geográfica e histórica, Lula defendeu o legado pacífico da América Latina e a diversidade regional como fundamentos para uma integração próspera. Em seu entendimento, a região não deve se submeter a agendas hegemônicas, mas seguir construindo uma cooperação plural que envolva temas econômicos, sociais e de segurança. Ele apontou que a América do Sul, em dois séculos de independência, tem aprovado trajetórias de convivência democrática quando há diálogo e respeito às regras comuns.
Ao encerrar, o presidente reforçou que a solução de conflitos deve passar pela participação inclusiva, pela proteção aos direitos fundamentais e pela construção de acordos que promovam paz, estabilidade e prosperidade para todos os países da região. Em síntese, o caminho defendido por Lula é o de fortalecer o diálogo entre as democracias, ampliar a cooperação regional e assegurar que decisões relevantes permaneçam sob controle dos povos, sem imposições externas.



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