Início Política Gilmar Mendes rejeita pleito por prisão em casa de Bolsonaro

Gilmar Mendes rejeita pleito por prisão em casa de Bolsonaro

Gilmar Mendes rejeita pleito por prisão em casa de Bolsonaro

O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, decidiu neste sábado (17) não conhecer de um habeas corpus apresentado por um advogado que pleiteava a prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão não examinou o mérito do pedido; Mendes apontou a incompetência da peça e não deu seguimento ao recurso.

Segundo o acórdão, o habeas corpus sequer foi impetrado pela defesa técnica do paciente, conforme a leitura do ministro. Mantidas essas circunstâncias, Mendes declarou a inadmissibilidade da via eleita, resultando na ausência de análise sobre o conteúdo que poderia subsidiar eventual benefício de prisão domiciliar.

O caso chegou a Mendes porque o ministro Alexandre de Moraes declarou-se impedido de julgar o pedido, alegando ser ele quem comanda as urgências da Corte durante o recesso. Em razão dessa impedibilidade, a condução do habeas corpus acabou ficando sob a responsabilidade de Mendes, que observou a inviabilidade de apreciar a matéria na relação com a Vice-Presidência do STF naquele momento.

A movimentação do processo encerra um episódio que envolve a tentativa de concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente. O pedido foi apresentado por Paulo Emendabili, um advogado que não tem relação direta com o andamento formal do caso de Bolsonaro, o que contribuiu para a decisão de não conhecer o recurso.

A dinâmica envolvendo a participação de Michelle Bolsonaro também chamou atenção nos últimos dias. Veículos de imprensa relataram que a ex-primeira-dama manteve encontros com o ministro Gilmar Mendes e, posteriormente, com o ministro Alexandre de Moraes. Alegações de que ela teria buscado influências para o desfecho do caso foram divulgadas pela imprensa, com a própria Michele solicitando aos apoiadores do ex-presidente que não fossem julgados por conta dos encontros.

Transferência e encaminhamentos

Na quinta-feira (15), Bolsonaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal (PF) para o 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. O movimento ocorreu sob orientação de Moraes, que determinou a realização de uma perícia oficial antes de qualquer decisão sobre o pedido de prisão domiciliar humanitária. O laudo técnico deve ser apresentado no prazo de 10 dias.

Ao decidir pela transferência, Moraes autorizou a adoção de medidas de proteção, incluindo a instalação de grades de proteção e barras de apoio na cama e em outros pontos da área onde o ex-presidente se encontra custodiado. A autoridade apontada como responsável pela custódia foi orientada a promover as adaptações necessárias para atender às exigências do laudo pericial.

Em resposta ao desfecho, os escritórios de defesa informaram que adotariam as providências cabíveis para adaptar o local onde Bolsonaro cumpre pena, buscando cumprir as determinações legais e as futuras avaliações técnicas.

Panorama institucional

O desfecho deste sábado não implica julgamento do mérito do pedido de prisão domiciliar, mas sinaliza a continuidade do andamento processual. A perícia oficial e a análise institucional sobre as condições de cumprimento da pena, incluindo o ambiente de custódia para eventual prisão domiciliar, permanecem como etapas decisivas a serem cumpridas pelos órgãos competentes.

Até o momento, não houve atualização sobre novos recursos ou manifestações adicionais da defesa, que devem ocorrer conforme o andamento da perícia e das avaliações judiciais. A expectativa é de que o laudo técnico seja apresentado dentro do prazo estipulado, possibilitando aos ministros uma nova apreciação sobre a viabilidade de uma medida de prisão domiciliar para o ex-presidente, dentro do marco legal e dos critérios estabelecidos pelo STF e pela Justiça competente.

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