Início Política Gonet arquiva rep. contra Toffoli; PGR arquiva pedido

Gonet arquiva rep. contra Toffoli; PGR arquiva pedido

Gonet arquiva rep. contra Toffoli; PGR arquiva pedido

O procurador-geral da República arquivou a denúncia apresentada pela oposição que pedia o afastamento do ministro Dias Toffoli, do STF, da relatoria do inquérito que investiga o Banco Master. O pedido foi protocolado no dia 10 de dezembro de 2025 por três deputados, que apontaram, entre outros pontos, uma viagem de Toffoli a Lima, no Peru, na companhia do advogado de um dos investigados.

Em despacho assinado no dia 15 do mesmo mês, o chefe do Ministério Público explicou que o caso já tramita no Supremo Tribunal Federal com a atuação regular da Procuradoria-Geral da República, não havendo, no momento, qualquer providência adicional a ser adotada. A decisão manteve a posição de que não existe precedente para medidas adicionais por parte da PGR naquele estágio da apuração.

Diante dos desdobramentos da investigação, a deputada Caroline de Toni reiterou a possibilidade de conflito de interesse por parte do ministro e encaminhou novos argumentos à Procuradoria para viabilizar a análise de suspeição. Em declarações feitas em 22 de dezembro, a parlamentar afirmou haver motivos consistentes para pleitear o impedimento de Toffoli, citando falta de transparência e vínculos com pessoas envolvidas no caso.

A oposição tem reforçado a denúncia apontando aparentes conflitos de interesse por meio de empresas ligadas a parentes do ministro. Segundo as acusações, uma relação indireta com o Banco Master seria intermediada por um fundo de investimentos. O Arleen Fundo de Investimentos, por exemplo, teria participação de cerca de um terço no Tayayá, resort localizado em Ribeirão Claro, no interior do Paraná, e investiu na DGEP Empreendimentos, incorporadora da mesma cidade, que contava com um primo de Toffoli em seu quadro societário.

A linha de conexão envolve uma cadeia de participações: o Arleen era cotista do RWM Plus, que, por sua vez, recebeu recursos do Maia 95 — um dos seis fundos citados pelo Banco Central como integrante de uma suposta teia de fraudes associada ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A montagem dessas relações é parte da narrativa apresentada pela oposição para sustentar o argumento de conflito de interesse.

Podemos, ainda, registrar que a cobertura publicada pelo Estadão aponta que a sede da Maridt, empresa vinculada à família do ministro, está registrada em um imóvel de cerca de 130 metros quadrados, onde reside a família de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro, que aparece como diretor-presidente da Maridt. Ao visitar o local, o veículo de imprensa ouviu a cunhada de Toffoli, que negou qualquer envolvimento do marido com o Tayayá.

Outra reportagem, veiculada pelo portal Metrópoles, trouxe a informação de que o Tayayá resort opera um cassino com máquinas caça-níqueis e mesas de pôquer. A matéria aponta que, na época, funcionários chamavam o empreendimento de “o resort do Toffoli”, ainda que não pertencesse mais à família do ministro. Em fevereiro de 2025, a Maridt vendeu integralmente as suas participações no resort por aproximadamente R$ 3,5 milhões, encerrando formalmente a ligação com o empreendimento. As cotas foram adquiridas pela PHB Holding, de propriedade do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já atuou em causas tributárias para a JBS — grupo ligado à J&F Holdings, dos irmãos Joesley e Wesley Batista — em assuntos fiscais, segundo as apurações.

Segundo as mesmas reportagens, parte das participações já tinha sido vendida, em 2021, a um fundo ligado ao pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, figura investigada pela segunda fase da operação Compliance Zero deflagrada pela Polícia Federal. Esses vínculos são citados pela oposição para sustentar a tese de vulnerabilidade institucional e de risco reputacional associada à relatoria de Toffoli no inquérito do Banco Master.

O arquivamento da representação não impede que novas informações sejam apuradas pelos órgãos competentes, nem impede desdobramentos de investigações já em curso. A defesa de Toffoli permanece sob o escrutínio público, à medida que surgem novos capítulos sobre negócios e vínculos familiares relacionados a pessoas ligadas aos interesses do inquérito.

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