O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta semana, o papel de influenciadores digitais na condução do discurso público. Em discurso realizado na Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro, ele afirmou que não conhece pessoas que ensinem algo sério com milhões de seguidores nas redes e que, muitas vezes, quem fala demais não apresenta provas.
Durante a fala, Lula mencionou números de seguidores de figuras da internet e comparou a veracidade de conteúdos. Ele destacou que há pessoas com milhões de seguidores que comentam sobre políticas públicas, mas avaliou que “não conheço ninguém que ensine coisa séria com 4 milhões de seguidores”, fazendo referência ao perfil de alguns influenciadores e ao fato de que, segundo ele, quem fala bobagens pode ter muito mais audiência — citando ainda o número de seguidores de Jair Bolsonaro, que teria cerca de 30 milhões.
O presidente criticou a falta de comprovações por parte de muitas personalidades da web. “A mentira você não precisa provar. Eu falo que o cara não presta, você acredita?”, disse, ao apontar que o público pode aceitar informações sem checagem. Ele também levantou a preocupação com a influência das redes no cotidiano das pessoas, afirmando que muitos vivem “no celular” e defendendo a necessidade de reduzir o tempo de uso de dispositivos móveis.
Lula ressaltou ainda a importância de não se deixar moldar apenas por algoritmos. “Não podemos ficar sendo algoritmo, robotizado pelo que eles querem que a gente veja e que a gente acredita todo dia”, afirmou, ao insistir na necessidade de uma atuação crítica diante do conteúdo online, especialmente em dias que antecedem o pleito eleitoral.
Ao lembrar do quadro eleitoral, o líder petista citou dados sobre o desempenho da economia sob seu governo. Ele apontou que, em dezembro de 2025, ocorreu a menor inflação acumulada em quatro anos na história do Brasil. Ainda assim, não comentou que esse resultado também envolve a atuação do Banco Central, nem que a inflação ficou acima da meta durante grande parte de 2025.
Sobre energia elétrica, o presidente ressaltou que, segundo dados do IBGE divulgados no dia 9, a tarifa residencial de energia registrou alta de 12,31%. Em relação ao emprego, Lula afirmou que houve o maior número de trabalhadores com carteira assinada em 2025, mas não detalhou que parte relevante desse crescimento ocorreu no setor público, onde, segundo dados oficiais, houve aumento de até 3,8% no quadro de empregos.
No entanto, o chefe do Executivo lembrou uma preparação para o futuro. Em sua fala na Casa da Moeda, ele avaliou com orgulho o retorno de funcionários que haviam sido desligados durante a gestão anterior, de Jair Bolsonaro. “Existiu um cidadão que governou esse país que achou que aqui tinha muita gente e tinha que mandar embora, e nós trouxemos de volta”, afirmou.
A intervenção de Lula na Casa da Moeda reforça o debate sobre o papel das redes sociais na arena política, incluindo a atuação de influenciadores, a checagem de informações e a influência desses conteúdos no processo eleitoral que se aproxima. A fala também destacou uma dualidade entre reconhecimentos de avanços econômicos e críticas sobre a forma como a comunicação pública é tratada nas plataformas digitais.



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