Início Política Parentes autorizados, firma envolvida; projeto cedido

Parentes autorizados, firma envolvida; projeto cedido

Parentes autorizados, firma envolvida; projeto cedido

O Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), é conhecido entre hóspedes e moradores como o “resort do Toffoli”, referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. A instalação abriga um cassino, conforme apuração recente, realizada por veículos de imprensa. Segundo relatos de funcionários ouvidos durante a estada de repórteres no local, o apelido circula entre quem trabalha no empreendimento.

A instalação do cassino ganhou destaque após o empreendimento ter passado por mudanças societárias. Originalmente, o resort foi erguido pela incorporadora dos irmãos José Carlos e José Eugênio, ligados ao ministro. Em seguida, o ativo foi vendido a um advogado da empresa J&F, conhecida pela relação com os empresários Joesley e Wesley Batista. O advogado afirmou que os jogos disponíveis aos hóspedes são permitidos e que não houve interferência ou incentivo à prática de jogos de azar no empreendimento.

A relação do Tayayá com casos envolvendo a administração pública voltou a ganhar notoriedade após o episódio envolvendo o Banco Master. Em meio a esses desdobramentos, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro — proprietário da instituição financeira ligada à controvérsia —, chegou a adquirir ações do hotel, ampliando o protagonismo financeiro do espaço no cenário regional.

Relatos do funcionamento do cassino indicam que o espaço disponibiliza 14 máquinas de jogos. O acesso ao recinto, conforme apurado, não conta com controle rígido, o que levou a registros em que crianças aparecem próximos a adultos que consumiam bebidas alcoólicas. Embora o jogo no Brasil seja, em muitos aspectos, proibido, o STF passou a permitir que estados explorem a renda de modalidades como as chamadas “vídeo-loterias”. Nesse contexto, Toffoli votou favoravelmente à flexibilização da prática, o que alimenta a discussão sobre a atuação de tribunais e autoridades em modalidades de jogo.

Mesmo após a venda do resort, há relatos de visitas frequentes do ministro Dias Toffoli ao local, com tratamento diferenciado em relação aos demais hóspedes. A imprensa regional divulgou informações de que o espaço possui um heliponto exclusivo para visitas de alta relevância e que determinados recursos do resort não ficam acessíveis a todos os visitantes. A imprensa nacional também veiculou mencões semelhantes, indicando que Toffoli poderia ter recebido esse tipo de benefício durante as visitas. Além dele, a ministra Cármen Lúcia também teria passado pelo resort em ocasiões anteriores.

As diárias do Tayayá variam, na categoria mais simples, em torno de 2 mil reais. Além das opções de hospedagem, o resort oferece infraestrutura como piscinas, quadras de tênis e atividades recreativas voltadas para crianças, compondo um conjunto de serviços voltado a famílias.

Até o momento, não houve posicionamento oficial divulgado pela administração do Tayayá sobre as informações mencionadas. Ao fechamento desta edição, a administração não confirmou nem refutou as acusações e não houve manifestação pública ampliada. O resort permanece em funcionamento, com atividades voltadas ao lazer de hóspedes, enquanto as discussões sobre governança, práticas de jogo e acessos privilegiados seguem em pauta nos veículos de imprensa e nas análises políticas e jurídicas do país.

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