Início Política Polêmica entre Silas Malafaia e Damares Alves leva à apuração de templos pelo INSS

Polêmica entre Silas Malafaia e Damares Alves leva à apuração de templos pelo INSS

Polêmica entre Silas Malafaia e Damares Alves leva à apuração de templos pelo INSS

O confronto entre o pastor Silas Malafaia e a senadora Damares Alves ganhou novos capítulos nos últimos dias, à medida que a CPMI do INSS avança em apurações sobre possível participação de grandes igrejas e seus líderes em esquemas de fraude contra aposentados e pensionistas. A história começou com declarações de Damares, ganhou contornos mais ásperos com a resposta de Malafaia e seguiu com a divulgação de documentos e convites pela comissão.

Em entrevista concedida ao SBT News no dia 11 de janeiro, Damares Alves afirmou que a CPMI está identificando a participação de igrejas no esquema de fraude ao INSS e que o tema estaria chegando a locais que não seriam esperados. A senadora disse que, quando se trata de grandes pastores, há pressão da comunidade para não abrir investigações, mas que a comissão prossegue com apuração. As declarações provocaram reação imediata do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Três dias depois, Malafaia reagiu com dureza, classificando as declarações como uma afronta. Ele desafiou Damares a apresentar os nomes de igrejas e pastores investigados, afirmando que, sem nomes, a acusação seria leviana. Em tom contundente, o pastor sugeriu que a senadora deveria revelar também quem pediu para que ela se calasse. A cobrança ganhou proporção, com críticas à forma como o tema foi apresentado publicamente.

Em resposta, Damares publicou parte dos requerimentos que tratam de igrejas e líderes vinculados às investigações. Ela ressaltou que as informações citadas na entrevista ao SBT News são públicas, constam de requerimentos aprovados pela CPMI e estão amplamente disponíveis à sociedade. A senadora destacou ainda que a possível participação de instituições religiosas em esquemas de fraude no INSS causa desconforto, dada a relevância social e espiritual dessas entidades, mas que a CPMI tem o dever de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental. Parte dos requerimentos já recebeu aprovação do colegiado, enquanto outros aguardam análise na retomada dos trabalhos.

A lista de itens que passaram pela CPMI envolve, entre sigilos e convites, quatro entidades religiosas com transferência de sigilo solicitada. São elas: Adoração Church; Assembleia de Deus Ministério do Renovo; Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch); e Igreja Evangélica Campo de Anatote. Além disso, houve convites e transferências de sigilo para líderes religiosos, bem como convites a pessoas ligadas ao meio empresarial e político. Entre os nomes, destacam-se Cesar Belucci do Nascimento (líder religioso) para comparecer à CPMI; André Machado Valadão (líder religioso) para depoimento; Péricles Albino Gonçalves (líder religioso) para comparecer; Fabiano Campos Zettel (empresário e líder religioso) para comparecer — Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero realizada no dia 14 de janeiro; e André Fernandes (líder religioso) para o mesmo fim.

Entre as informações divulgadas pela CPMI, há ênfase em ampliar o espectro de depoimentos, incluindo figuras do meio evangélico, com a intenção de esclarecer relações entre instituições religiosas, figuras públicas e possíveis favorecimentos. A comissão também busca esclarecimentos sobre ligações com o setor financeiro, como evidenciado pelo envolvimento de Zettel.

Após as publicações, Malafaia sustenta a denúncia e voltou a afirmar que Damares apresentou uma acusação grave sem apontar nomes. O pastor acusou a senadora de não citar grandes igrejas e de citar apenas entidades menores, sem reconhecimento suficiente. Em resposta, Damares manteve o tom institucional, reafirmando que não submeterá suas ações parlamentares à autoridade de qualquer líder religioso e frisando que dados sobre a Assembleia de Deus do Amazonas — ligada a familiares de membros da bancada evangélica na Câmara — também serão avaliados pela CPMI.

A crise entre os dois atores políticos se intensificou com o registro de um pedido de convocação de Malafaia na CPMI do INSS, apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG). O pastor reagiu positivamente ao requerimento, manifestando o desejo de ser ouvido e sugerindo, como contrapartida, a oitiva de Frei Chico, vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), e de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Malafaia ressaltou que o requerimento, caso aprovado, representaria uma oportunidade de esclarecer as suas perguntas e as acusações envolvendo a senadora.

Ao longo dos próximos dias, a CPMI deverá continuar analisando os requerimentos aprovados e avaliando a pertinência de novas convocações, com a expectativa de esclarecer as informações já tornadas públicas e confirmar ou afastar eventuais impactos de figuras religiosas envolvidas nas investigações. O desfecho do embate entre Malafaia e Damares Alves permanece dependente dos próximos desdobramentos da CPMI do INSS, que continua a coletar documentos, ouvir depoimentos e ampliar o alcance das apurações sobre possíveis irregularidades no sistema de benefícios previdenciários.

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