Início Política Polícia Federal pede apuração sobre vínculo de Daniel Vorcaro com influenciadores

Polícia Federal pede apuração sobre vínculo de Daniel Vorcaro com influenciadores

Polícia Federal pede apuração sobre vínculo de Daniel Vorcaro com influenciadores

A Polícia Federal pediu ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, a instauração de um inquérito específico para investigar uma suposta campanha coordenada nas redes sociais envolvendo influenciadores recrutados para difamar o Banco Central (BC) no contexto da liquidação do Banco Master. Segundo apurações, a PF busca esclarecer se 46 perfis teriam sido acionados para atacar o BC e, assim, tentar influenciar a liquidação do Master a mando do banqueiro Daniel Vorcaro, que nega as acusações.

Fontes ligadas à investigação dizem que há suspeitas de que uma agência vinculada a campanhas do Banco Master tenha figurado nos contatos com os influenciadores, alimentando uma estratégia de disfarçar críticas e pressionar o BC. A PF já pretendia abrir esse inquérito desde o início do ano e só pôde avançar com a formalização na última semana, após consolidar novos elementos.

Entre os indícios que vêm sendo analisados estão diálogos identificados no celular de Vorcaro, que, segundo investigadores, teriam apontado repasses de orientações diretas a intermediários externos à estrutura formal do Master — entidades que atuam com produção de conteúdos para influenciadores — com o objetivo de impulsionar publicações favoráveis ao banco e promover ataques contra representantes públicos e instituições contrárias aos interesses do grupo. Os relatos apontam uma atuação articulada, com foco em desqualificar críticas e pressionar o BC durante o cenário de dificuldades que antecedeu a liquidação do Master.

Em relação aos custos e aos instrumentos usados, os investigadores indicam que os contratos com influenciadores chegaram a somar até 2 milhões de reais, incluindo cláusulas de confidencialidade para evitar vazamentos. Um dos documentos apreendidos, com as iniciais “DV”, foi citado por uma das fontes consultadas pelo jornal O Globo, que teve acesso a um dos acordos de confidencialidade, incluindo uma multa de 800 mil reais em caso de quebra de sigilo.

As investigações apontam que o objetivo da rede de influenciadores seria moldar a opinião pública para associar a liquidação do Master a decisões políticas de esquerda ou de aliados ao chamado “Centrão”, divulgando narrativas que minimizassem as críticas ao processo regulatório. Dois influenciadores que passaram a colaborar com as apurações relataram ter sido abordados para promover ataques aos envolvidos na liquidação, com foco principal no BC.

Em defesa, Daniel Vorcaro negou qualquer vínculo com o uso de influenciadores. Em petição dirigida ao STF, a defesa afirmou que não houve participação ou conhecimento do banqueiro em relação a esse esquema. A assessoria de Vorcaro sustenta a cooperação com as investigações.

Entre os indivíduos que vieram a público mencionar ter sido abordados está o vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), que soma mais de 1,5 milhão de seguidores. De acordo com ele, chegou a assinar um contrato de confidencialidade com multa de 800 mil reais para ter acesso aos termos da proposta, que prometia remuneração elevada sem detalhar o valor inicial. Gabriel afirmou ter recusado a proposta e encaminhado os documentos à colunista Malu Gaspar.

Relatos de monitoramento de entidades do setor financeiro indicam um pico de ataques em novembro e dezembro de 2024, incluindo um período entre 26 e 29 de dezembro e até 5 de janeiro, com impactos também sobre a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A Febraban confirmou, ao jornal Estado de S. Paulo, que houve um volume atípico de menções à liquidação do Master, e afirmou que está investigando se tais publicações configuram um ataque coordenado, ressaltando que o monitoramento é voltado para consumo interno.

Entre as peças consideradas relevantes pelas autoridades está o foco sobre Renato Dias Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, responsável pela decisão de indeferir a venda do Banco Master ao BRB, o Banco de Brasília. Uma das peças de desinformação vinculadas ao esquema trazia uma alegação de rapidez injustificada para pressionar a decisão, sugerindo que o BC agiria de forma precipitada.

Caminhos judiciais paralelos também reaparecem nos destaques da apuração. Em meio à liquidação, o Master se tornou alvo de investigações da PF envolvendo a possível venda de carteiras de crédito fraudulentas ao BRB, que teriam apoiado o processo de liquidação determinado pelo BC, com valores que podem chegar a até 12 bilhões de reais.

A investigação também trouxe à tona uma nota de repercussão ligada a um desdobramento de outra operação da PF: a suposta existência de um contrato milionário envolvendo a esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo as provas apreendidas na operação Compliance Zero, no final de 2025, esse documento previa pagamentos de 129 milhões de reais em três anos. A PF não detalhou ainda como esse material se relaciona com o caso do Master, mas a descoberta compõe o conjunto de elementos sob análise no âmbito das apurações.

Deixe uma Resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado.