Um resort de alto padrão no interior do Paraná voltou a figurar como elo entre um fundo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, parentes do ministro do STF Dias Toffoli e, recentemente, um advogado com atuação para a JBS. O Tayayá Aqua Resort, situado às margens da represa de Chavantes, na região da Angra Doce, em Ribeirão Claro (norte do estado), integra um conjunto de negócios mencionados em investigações que apuram a movimentação e ocultação de recursos por meio de estruturas financeiras complexas.
O empreendimento ocupa uma área voltada ao turismo náutico e de lazer, ao longo da principal calha do reservatório do rio Paranapanema. Entre as atrações oferecidas pelo Tayayá estão piscinas climatizadas que somam mais de cinco mil metros quadrados, com toboágua e espaço de aquaplay para crianças, além de uma marina capaz de atender embarcações e jet-skis. O complexo também abriga áreas esportivas, brinquedoteca, restaurante infantil e espaços voltados ao público familiar, com um centro gastronômico interno que concentra refeições diárias, além de opções como pizzaria, choperia, temakeria, hamburgueria e bares distribuídos pelo local.
Na prática turística, o Tayayá oferece diversas opções de hospedagem que vão desde apartamentos até flats e casas com vista para a represa. Um dos diferenciais é o condomínio de alto padrão conhecido como “apartamento Privilege”, com suíte, sala, cozinha compacta, varanda com vista para a água e serviços de climatização, televisão, entre outros itens.
Sobre a gestão e o valor de diária, o site oficial indica tarifas para o período de férias de janeiro entre 1.304 e 2.104 reais. Pacotes para o carnaval exigem, no mínimo, quatro noites, com diárias a partir de 2.782 reais. Nos meses de abril e maio, as diárias começam em 1.217 reais, conforme a disponibilidade.
As avaliações dos visitantes ajudam a traçar uma imagem do resort: o Tayayá mantém, até o momento, um índice de fidelização significativo, com 1.988 avaliações no Google e uma nota de 4,7 em uma escala de 1 a 5.
Contexto investigativo: participação familiar, fundos e estruturas societárias
Segundo apurações divulgadas pela imprensa, o Tayayá já teve como sócios os irmãos José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, além de Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli. Nessa linha, o empreendimento também integrou o grupo de investimentos Arleen, um fundo ligado a uma rede financeira associada a Daniel Vorcaro e à gestora Reag Investimentos.
Em fevereiro de 2025, houve uma mudança de controle no Tayayá. O novo controlador passou a ser o advogado goiano Paulo Humberto Barbosa, que já atuou para a JBS, empresa de Joesley e Wesley Batista. Barbosa comprou a participação da Maridt, empresa de propriedade dos irmãos de Toffoli, em uma operação estimada em 3,5 milhões de reais. Degani permaneceu como sócio por alguns meses e deixou o empreendimento em setembro de 2025, vendendo sua participação ao advogado, conforme apurou a Folha de S.Paulo. Com isso, as cotas do Tayayá ficaram distribuídas entre a PHB Holding e Participações Ltda, controlada por Barbosa, e a Angra Doce Investimentos Ltda, também vinculada a ele.
As investigações indicam que, entre 2021 e 2025, o Arleen manteve participação no Tayayá ao lado dos irmãos Toffoli, mantendo o fundo como sócio conjunto com a rede da Reag. A linha de investigação aponta que o Arleen integrava uma cadeia de investimentos destinada a inflar artificialmente patrimônios por meio de empréstimos simulados e aplicações cruzadas, com recursos potencialmente circulando pela instituição financeira Banco Master, controlada por Vorcaro. O objetivo, segundo as investigações citadas, seria abastecer empresas consideradas “laranjas” do empreendedor.
Antes de deixar a sociedade, o Arleen também operava como sócio da DGEP, empresa de incorporação imobiliária registrada no mesmo endereço do Tayayá. Em 2021, o fundo adquiriu parte das cotas pertencentes aos irmãos Toffoli, com a representação contratual feita por Silvano Gersztel, executivo da Reag alvo de outra operação ligada à investigação chamada Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro associada ao crime organizado, incluindo o PCC. A entrada do Arleen rendeu aos irmãos Toffoli cerca de 3,2 milhões de reais na ocasião.
Desdobramentos recentes trazem ainda a observação de que, em dezembro do ano passado, pouco antes da prisão de Vorcaro, o Arleen foi concluído/liquidado, encerrando a participação no Tayayá e em outras estruturas da rede. A prisão de Vorcaro e a evolução das investigações também acompanharam esse desfecho societário, que aponta para uma reorganização do conjunto de interesses envolvendo o resort, os fundos e as pessoas associadas.
Contato com as partes envolvidas
A Gazeta do Povo tentou ampliar os comentários com Paulo Humberto Barbosa, com representantes da JBS e com a administração do Tayayá Aqua Resort. Até a publicação, não havia resposta oficial para as informações apresentadas. O Tayayá permanece aberto a manifestações formais, conforme o canal de comunicação institucional do empreendimento.
O caso envolvendo o Tayayá Aqua Resort exemplifica a complexa interface entre negócios de alto padrão, redes de investimentos familiares e investigações de movimentação de recursos que, segundo apurações, podem ter envolvido operações de grande alcance no Paraná e em outros estados. As autoridades continuam acompanhando a evolução dessas autonomias societárias e as implicações legais para os nomes ligados aos seus componentes, incluindo familiares de figuras públicas e operadores do setor financeiro.



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