Um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) foi flagrado em um encontro realizado em um resort no interior do Paraná, espaço que investigações associam à família dele. Dias Toffoli participou da reunião ao lado de personalidades do mundo financeiro e empresarial: o banqueiro André Esteves, presidente do BTG Pactual, e o investidor do setor metalúrgico Luiz Pastore. O encontro ocorreu em 2023 e foi registrado em vídeo divulgado recentemente pelo portal Metrópoles.
A Gazeta do Povo procurou todos os envolvidos para ouvir suas versões. Sob a condição de anonimato, uma das fontes confirmou o encontro, descrevendo o encontro como “um churrasco com outras 30 pessoas”, em tom de justificativa de que não houve nada fora da rotina. À reportagem, outra fonte afirmou que o encontro se tratou de uma reunião informal, sem acontecimentos relevantes ou decisões a serem registradas. O registro do Metrópoles, no entanto, aponta para uma constância no uso daquele espaço para encontros entre Toffoli e figuras representativas de diferentes setores.
Pastor e Esteves aparecem no grupo de interlocutores do ministro. Luiz Pastore é reconhecido como investidor com atuação significativa no segmento metalúrgico, e, segundo informações públicas, foi quem levou Toffoli e o advogado Augusto Botelho até Lima, no Peru, para acompanhar a final da Copa Libertadores da América. Já André Esteves ocupa a presidência do BTG Pactual, instituição considerada um dos maiores bancos de investimento da América Latina.
O resort em questão é o Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. Historicamente, ele é conhecido na região como o “resort do Toffoli”, uma designação que já circulava antes do registro do vídeo e que foi corroborada pela própria imprensa local. Reportagens indicam que o local ganhou esse apelido depois de ter sido construído pela incorporadora de José Carlos e José Eugênio, irmãos do ministro. Conforme o empreendimento, houve uma transação de venda para um advogado ligado à J&F, o grupo que tem entre seus donos os empresários Joesley e Wesley Batista. Em nota à Gazeta do Povo, o advogado envolvido na transação afirmou que os jogos disponíveis na infraestrutura do resort são permitidos aos hóspedes e que não há qualquer interferência ou incentivo à jogatina por parte da administração.
O Tayayá voltou a ganhar notoriedade após surgir na esteira de denúncias envolvendo o Banco Master, instituição cuja gestão foi tema de investigações. O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro — proprietário da instituição — chegou a adquirir ações do hotel, segundo informações já tornadas públicas. Esse elo levou a uma nova rodada de questionamentos sobre as relações entre figuras públicas e o universo financeiro.
A Gazeta do Povo entrou em contato com o resort, com o ministro Dias Toffoli e com a parte envolvida na propriedade, que, até o momento, mantêm a residência aberta para manifestações oficiais. A reportagem destaca que o cenário de reuniões nesse espaço é objeto de interesse público, dado o papel institucional de Toffoli no STF e a proximidade com pessoas de passagem frequente pelo meio financeiro.
Não há, até o momento, qualquer conclusão de irregularidade ou ilícito com base nas informações disponíveis. A pauta permanece sob escrutínio, com autoridades e veículos de imprensa buscando entender a extensão das frequências desses encontros, bem como os vínculos entre o local, a família do ministro e os protagonistas citados.



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