A Transparência Internacional Brasil pediu formalmente, nesta sexta-feira, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) peça ao Supremo Tribunal Federal (STF) o afastamento do ministro Dias Toffoli do inquérito que investiga o Banco Master. O relator no STF tem decretado sigilo elevado sobre todo o andamento do caso, o que reforça a tensão em torno da condução das apurações.
A ONG ressaltou que, segundo reportagens recentes, duas empresas ligadas a irmãos e a um primo de Toffoli teriam, até meados de 2025, participação societária em um fundo de investimento associado às suspeitas de fraudes envolvendo o Master. Em sua manifestação pública, a Transparência Internacional destacou o histórico do ministro como elemento relevante para discutir a necessidade de impedimento, afirmando que haveria pouca ou nenhuma expectativa legítima de que ele permaneça atuando no caso.
Entre os motivos citados pela organização para justificar o afastamento, a TI apontou decisões de Toffoli em casos relevantes no passado, incluindo a anulação de delações citando o ministro, a sustentar a nulidade de provas da Odebrecht — inclusive depoimentos e e-mails que o lembravam — e a suspensão de uma multa bilionária ligada à J&F, em que a esposa de Toffoli tinha atuação jurídica. A entidade argumentou que, sob a lei, caberia a PGR pedir o impedimento, seguindo depois para votação pelos ministros do colegiado, caso o pedido fosse negado pelo relator. A TI disse, contudo, que somente uma mobilização institucional ampla seria capaz de preservar a atuação da PGR e do STF em favor do interesse público.
Decisões associadas ao caso Master também ficaram sob escrutínio. Nesta semana, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação Compliance Zero, com alvos ligados ao Banco Master. No despacho que autorizou a ação, Toffoli criticou a suposta falta de diligência da autoridade policial e determinou que as provas apreendidas ficassem sob custódia do STF. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pediu ao ministro que reavaliasse a posição, afirmando que haveria risco de danos irreparáveis às investigações. O procurador-geral da República (nominal nesta nota como Paulo Gonet) acompanhou o pleito da PF.
Durante a ofensiva, o conjunto de apreensões incluiu 39 celulares, 31 computadores, 30 armas de fogo, R$ 645 mil em dinheiro e 23 veículos avaliados em R$ 16 milhões. Diante das críticas, Toffoli determinou que as provas fossem encaminhadas à PGR para a extração de dados, passando a responsabilidade de conduzir os trabalhos periciais a essa última instituição. A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) manifestou preocupação com a possível perda de vestígios relevantes, destacando que, ainda que o MP tenha papel de formar opinião jurídica, não cabe ao órgão acusatório a elaboração de provas a partir de vestígios.
Posteriormente, o ministro recuou e designou quatro peritos da PF para acompanhar a perícia, assegurando que eles teriam livre acesso aos materiais — com o suporte da PGR para o acompanhamento técnico dos trabalhos. Na sexta-feira, Toffoli também reduziu o prazo para que a PF collect depoimentos dos investigados de cinco para dois dias. Em seguida, atendeu a novo pleito policial e prorrogou as investigações por mais 60 dias.
A discussão sobre eventual impedimento do ministro segue em pauta para o cenário institucional. A Transparência Internacional Brasil insistiu que, para que haja mudança, a PGR precise protocolar o pedido de impedimento diante do STF e que, se Toffoli rejeitar, o tema seja levado ao colegiado para votação. A entidade reforçou ainda a convicção de que o atual quadro exige mobilização social constante pela atuação independente de PGR e STF, assegurando, segundo a visão da organização, a defesa do interesse público diante de casos de grande repercussão.



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